quinta-feira, 27 de agosto de 2015

À liberdade


Mulheres correndo na praia - P. Picasso
Há um desassossego no meu peito que não cessa. A busca por liberdade. Se fosse resumir tudo, é isso: à liberdade. Liberdade de ser um espírito em busca de aventuras, de novas experiências, de encantamento.

Há dias em que o mundo parece suspenso no ar. Quanto de amor é o suficiente para nos bastar? Quanto de devoção e dedicação do outro é o suficiente para provar que realmente somos amados? A ideia aterradora de que somos sozinhos é constantemente abafada, mas nunca o bastante: queremos provas de amor o tempo todo, porque só assim nos sentimos menos sós no mundo. E qual o problema em se estar só? Talvez seja o desnudar-se. É muito difícil se expor ao mundo, é embaraçoso.

Não se espera de uma mulher que ela seja forte. Não se espera de uma mulher que ela ouse se colocar como um espírito em busca de liberdade, porque liberdade é uma coisa masculina. Uma tal mulher que se coloque assim, certamente é perversa, egoísta, insensível, vaidosa. A sua busca será ofensiva a todos aqueles que estão presos e sem forças para movimentar-se. “Imagina! Uma mulher...”.

No entanto, no devagar depressa dos tempos, as mulheres vão se redescobrindo nas suas particularidades de seres humanos e a ideia de liberdade está se tornando mais frequente. Que tipo de revolução se dará quando a maioria de nós romper com o "desde que o mundo é mundo é assim"?


ps. deixo um video da artista franco-chilena Ana Tijoux, que me inspirou a escrever este texto.