quinta-feira, 29 de outubro de 2015

(des)organização

completa e absoluta. 
seja mental e física, 

tanto que escrevo sem as maiúsculas
e sei que irrita muitíssimo quem lê,
principalmente os adoradores:
da perfeição, da regra,
do certo, do correto. 

mas descobri alguém que ganha de mim:
na desorganização, na bagunça, na desorientação.

comprei um livro que além de não ter maiúscula,
não tem alinhamento, vírgula ou ponto final, 
é um caos.

tem nome de homem,
o tal do haroldo e muitos campos.

demorei uns três dias pra ler.
e quando terminei fiquei com dor de cabeça.
pilhada, feito aquelas crianças com tdah.

a insanidade era inevitável
pensa num redemoinho de letras,
uma galáxia de frases soltas, cheio de planetas e línguas e linguagens.

deu tanta liberdade, que hoje resolvi imitá-lo,
na poesia?
p#rr#, nem se quisesse, muitíssimo.
fico só no admirar sabe.

mas fique calmo (a), 
essa imitação é restrita 
na falta da maiúscula.
e só meu caro (a).

no resto, 
ando não sei quantos espaços de planetas na distância.
mas os passos nesta estrada, com plena e absoluta leitura
permite alguma liberdade.
então uso.

e será que é falta de assunto? 
na verdade verdadeira é o excesso de:

afinal com tanta palhaçada  para ser aprovada 
como é que a gente elenca as prioridades?

então
depois volto, 
com pensamento mais (des)organizado,
do que nunca, porque perfeição nunca foi a minha.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhêeeeeeeeeeeeeeee

e graças a deus 
e tenho dito, amém por isso.


***
Diante de tantos assuntos um em específico não sai da mente,  a reorganização das 94 escolas, os 300 mil alunos prejudicados e/ou reorganizados  e esse consentimento da mídia em absolutamente não tratar o assunto da forma que deveria e quando faz é de forma muito discreta para não prejudicar a imagem do governador.  

Mas principalmente não consigo parar de pensar na presença mais que excessiva do autoritarismo institucional.

Sei. O Estado é por natureza - autoritário - mas o pingado de democracia que existe faz crer que está em doses cavalares não?

Relembro as cenas de meses atrás, da greve dos professores em Sampa, ou da agressão e violência policial com professores no Paraná ou ainda das greves em universidades.

 Também do quanto penamos enquanto alunos e comunidade com atual reitora (simpatizante do partido do governador não?) da universidade que fiz parte. Em qualquer data, existe o velho autoritarismo.

Desde a última vez que estive na câmara municipal e não consegui entrar para assistir a votação sobre a discussão de gênero no currículo das escolas esbarro e caio no autoritarismo.

E coincidentemente quando diz respeito à votação sobre educação e gênero alguém tem a brilhante ideia de separar quem era a favor e contra. Veja na simplicidade de ações, de gente que não necessariamente é de patente alta, existe autoritarismo.

Mesmo quando justificado, vejo o autoritarismo em julgar que as pessoas são incapazes de suportar umas as outras. Segundo informação adquirida no momento em que fui barrada, decidiram separar por receio de brigas e para conter manifestantes de ambas as opiniões, como se não fossem adultos e sensatos o bastante para ficarem lado a lado para ouvir a votação e resultado.

Naquele momento, mesmo irritada por saber que não poderia entrar fui aconselhada a ficar no auditório de fora e assistir pelo telão mesmo com manifestantes na rua e favoráveis ao veto, munidos de um carro de som, camisetas brancas e gritos em nome de deus que não aceitariam a ideologia de gênero.

Não preciso dizer que sendo assim, fui embora. Depois de algumas horas, soube que vetaram a discussão de gênero nas escolas numa votação quase unânime.

Fiquei tão decepcionada, pois jurava que passaria afinal a pauta sobre discussão de gênero foi elaborada por uma comissão da educação e não por comunistas, feministas ou anarquistas, mas pessoas que tanto quanto sabem da necessidade social e real demanda da escola.

Tanto que escolheram incluí-la no currículo por compreender que a discussão é ampla e não é apenas sobre assumir ou identificar a identidade de gênero, trata de educar sobre violência, respeito, abuso, assédio, machismo, saúde, orientação sexual e principalmente sobre a vida das mulheres numa sociedade patriarcal e extremamente machista com isso não se exclui os homens.

Seja como for, através do voto e da suposta democracia o autoritarismo venceu e o veto sobre a discussão de gênero nas escolas perdura.

Meses depois vejo a notícia da reorganização, procuro informação sobre diálogo do governo com direção das escolas, professores, sindicato dos professores e principalmente com as famílias porque citar alunos é audácia não é não? E sem surpresa alguma não encontro.

Quer dizer, além do tal Dia E da Educação quando ocorrerá um evento para informar e/ou “explicar” para os pais e responsáveis legais sobre a reformulação do ensino estadual.

Depois leio uma matéria que alguém de um partido (pasme!) de oposição diz achar coerente a reorganização. Desacredito. Sendo, vejo noutra que as escolas que irão fechar serão reutilizadas através de remanejamento para o município na construção de creches ou do estado para construção de escolas técnicas e educação de jovens e adultos.

Cof, cof, cof!
Cof, cof, cof!

Desculpe, engasguei com a saliva.


Até acreditaria se não fosse aluna de uma escola técnica – gestão pública - do qual está inserida no processo de reorganização. No começo do mês de outubro recebeu a nefasta informação de forma autoritária (ou seja, de cima para baixo sem qualquer diálogo) que seria realocada, com risco de fechar cursos por pouca adesão, reformulação inclusive no nome sem considerar todo processo de qualidade criado pelos docentes em cada curso.

Noutras palavras, a escola será obrigada a mudar de endereço, terá que se realocar noutro espaço.

Qual o problema? 


Acho que nenhum, desde que exista diálogo para saber as implicações na adesão e qualidade dos cursos, sendo que trata de uma construção do corpo docente e, portanto alterar local e nome de alguns cursos pode prejudicar; além de existir o risco de fechar cursos. De qualquer forma o principal problema é não ser informado, seja para direção, professores, aluno de quando e para onde irá a escola.

Sabendo que não é apenas esta escola técnica que está com problema, demais escolas enfrentam outras dificuldades, mas quase ninguém sabe não é, porque quando as ordens chegam devem ser obedecidas e não importa opinião, o diálogo ou respeito com integrantes da escola.

Mas seja como for, o autoritarismo impera e veja que ninguém sabe como estas reorganizações irão acontecer.

De qualquer forma, vale relembrar que nenhum dos direitos sociais conquistados atualmente foi alcançado sem a participação social, ou seja, nada do que temos hoje é um presente do Estado. 

Nada. 

Absolutamente tudo, foi conquistado com muita luta. E dei conta disso, estudando, porque na real ninguém te explica ou comenta algo do tipo na fila do mercado, do açougue, da padaria. E quando falo de estudar não deixo restrito a escola ou faculdade, é em livros sabe.

E para quem adora imitar os EUA/Americanos ou Franceses, Italianos, Gregos e outros quando se diz ser ou ter herança, vai a dica - vale lembrar que por lá todos direitos foram conquistados através de lutas, de organizações, de participação social (muitas realizadas de forma agressiva na resistência, grito e reivindicação quando o diálogo é ignorado). 

E principalmente foram as ruas por conhecer a própria história, pois sabem que o Estado não é papai noel e portanto não presenteia ninguém no começo, meio ou final de ano.


Aqui sabemos que não é de hoje a precarização do ensino, a mercantilização do conhecimento, sendo compreensível o interesse em economizar, reduzir custos numa área que demanda gastos, principalmente para criar ou manter a qualidade para que pobres alcancem ainda mais as universidades públicas.

Mas no meio do caminho tinha umas pedras.

E para minha surpresa vejam só, os estudantes da rede pública ensinando como garantir direitos, entenderam que o melhor do ensino está na prática ou melhor aliar teoria e prática. 

Que perdurem que resistam que se fortaleçam ensinando os pais, família a compreender que ensino e direito se conquistam na rua, na luta, no grito.

Acredito que falta outras pedras no meio do caminho.

Falta outras escolas de outros estados de outras universidades de outras famílias de outros estudantes perderem a paciência com essa falta de: diálogo, descaso, precarização do ensino e irem pra rua calar o autoritarismo.


Uma vez que organizam da forma que bem entendem nossas vidas temos o direito de desorganizá-los, seja no âmbito político e institucional. 

Então quando será o próximo ato unificado?