domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre o antônimo da derrota

Já parou pra pensar quantas vezes você já deixou um fato estragar a sua felicidade? 

Ontem aconteceu uma situação bem ruim comigo, que não cabe colocar aqui, mas posso dizer que é daquelas de perder a cabeça. Porém, quão forte é uma pessoa que deixa sua vida perder o rumo por um acontecimento ruim no meio de tantas coisas boas que existem? Sim, sou uma dessas pessoas que entendem bem o que significa resiliência. Não foi por opção, a vida me ensinou o quanto é preciso se superar a cada dia, passar por cima dos obstáculos e seguir em frente. 

Sou um asmático que quer correr 10 km três vezes por semana, insiste em jogar bola, mesmo sendo mediano, só pelo prazer de participar, e também salta de pontes por ai. Nunca me preocupei por não ser excelente em nada, sou um pouco de cada coisa, evito comparações pois conheço a prepotência masculina e sei muito bem que as pessoas estão sempre querendo se superar. É claro que também gosto da vitória, é bom quando seu time fica na quadra por 4 rodadas seguidas ou ganha um campeonato. Tem também aquele momento que a gente alcança o cume de uma montanha depois de horas caminhando pela mata. Ou aquela adrenalina ao encarar o medo de frente e se jogar de corpo e alma.  

Superação remete a desejos, valores e necessidades  pessoais, se nos compararmos com outras pessoas talvez seu resultado alcançado não tenha tanta relevância. Pode sim existir uma boa diferença entre um competidor amador de corrida e um atleta olímpico, mas o gosto da vitória, proveniente da superação, esse é o mesmo. Isso também vale para nossa vida social. Aquela pessoa famosa e colocada como grande vencedora como, por exemplo, Cris Garden que se viu sozinho com um filho na rua e abandonado pela esposa, passou por necessidades e teve de enfrentar barreiras físicas e mentais para alcançar o sucesso, esteve no mesmo barco de grande parte da população hoje em dia.

A sociedade moderna tem perdido o gosto pela vida, e esquece que um dia ela passa. Quem busca a superação deve se colocar acima de alguns problemas que por um outro prisma se tornam pequenos. Recomendo que assistam o vídeo da Doutora Ana Cláudia Quintana Arantes, intitulado: A morte é um dia que vale a pena viver. A palestra me fez pensar bastante sobre quão frágil somos, despertando o desejo de viver mais e ajudar ao próximo. O que me remete a um trecho de uma palestra do professor Clóvis de Barros Filho [...Se você quer saber se aquele instante está valendo a pena, pergunte-se se você gostaria que ele durasse um pouco mais. A vida é boa quando você torce pra ela não acabar. Perceba que a maior parte do tempo você torce pra acabar. Torce pro dia acabar pra poder chegar em casa. Torce pra semana acabar por causa do final de semana. Torce pro mês acabar por causa do quinto dia útil. Torce pro ano acabar por causa das festas e das férias. E sem perceber, a gente tá torcendo pra vida passar rápido. A felicidade é o contrário disso. A felicidade é quando você gostaria que não passasse, é quando você lamenta o final do dia, quando você lamenta o final de alguma coisa que está fazendo... A vida vale a pena quando você torce pra ela não acabar...]

A superação tem a ver com ousadia, romper as barreiras do comum e reconhecer que tem força e personalidade para lidar com os fatos da vida. Alguns são desestimulados a perseguir seus sonhos porque os outros não conseguiram. Nesses momento eu lembro sempre da cena que o personagem Cris Garden (filme, À Procura da felicidade) citado anteriormente, diz pro seu filho que imaginava ser profissional no basquete: "Nunca deixe ninguém dizer que você não pode fazer alguma coisa. Se você tem um sonho, tem que correr atrás dele. As pessoas não conseguem vencer, e dizem que você também não vai vencer. Se quer alguma coisa, corre atrás." 

Às vezes algumas pessoas só sabem o quanto são fortes quando precisam ser. Quando você quer muito alguma coisa, quando você ama alguém, ou quando houver apenas uma saída para sobreviver, o ser humano se torna extremamente poderoso, reage com grande velocidade e objetividade. Infelizmente alguns são mais lentos, a ponto de arriscar suas vidas e de mais alguém. Todos convivemos com problemas pessoais e coletivos diariamente, dizer que eles não existem é ignorar a vida. Infere-se então que o fator que influencia quais vão ser as consequências das adversidades enfrentadas é simplesmente a sua atitude diante delas.   

Palestra, Professor Clóvis de Barros filho




Palestra, A morte é um dia que vale a pena viver 


Conselho ao filho, À Procura da Felicidade