sábado, 3 de junho de 2017

Pura essência

Sou pura essência quando sinto a textura do papel. Despida dos moldes, é simplesmente minha alma fluindo pela tinta da caneta nesse infinito de possibilidades. Tudo esta em calma enquanto a melodia da madrugada conduz minhas palavras livremente. Talvez minhas palavras fossem mais frágeis há três meses atrás, mas nessa madrugada sinto como tudo esta diferente. 

Sentindo a textura do papel, sendo pura essência, nada mais importa. Nem você, nem o que o tempo dissolve, nem a hora que preciso acordar amanhã, mas, mesmo quando nada mais importa, sempre existe algo que importa. Minhas lembranças me fazem ver isso nitidamente e, nessa fração de vida, lembrei de tanta coisa. Sim, coisas! No mais amplo sentido que essa pequena palavra carrega. Vi recortes de cenas compondo um filme com diversos fragmentos do meu cotidiano. Alguns desses recortes me transportaram no tempo e espaço, me guiando para uma dimensão nostalgicamente feliz, fazendo com que eu me sinta ainda mais viva quando sinto a textura do papel, quando sou pura essência.

Sou grata por cada coisa, no seu mais amplo sentido, vivida. Cada história, cada momento, cada saudade, cada tombo. Esse amontoado de coisas me fez ver o quanto a vida é feliz em seus detalhes e deve ser por isso que amo tanto os detalhes, pois eles nascem das circunstancias e, hoje, as circunstancias me fazem sentir a textura do papel, me fazem ser pura essência.