terça-feira, 1 de agosto de 2017

Motivação

Há momentos em que fazer arte parece doloroso. Sentimos como se toda a energia que temos estivesse sendo usada para sobreviver, trabalhar para pagar as contas e manter a cabeça funcionando. E nesse esquema de manutenção apenas do que se pensa ser o suficiente, perdemos o impulso de criar. 

Muita gente melhor do que eu já falou sobre motivação. Amanda Palmer e aquele cara de cabelo esquisito que casou com ela dão ótimas dicas relevantes em "A Arte de Pedir" e "Faça Boa Arte". O Henfil fala maravilhosamente bem a respeito de prazos e a necessidade de pressão nesse incrível texto http://intervox.nce.ufrj.br/~elizabet/henfil.htm em que fala da inspiração como um Dobermann correndo atrás dos calcanhares de quem quer produzir.

A verdade é que a vida cobra muito. "Escreva todo dia" se torna uma cobrança absurda. Perguntas de "Como vai o seu romance?" se tornam martírios, quando temos de responder que o abandonamos por falta de tempo. O sucesso alheio parece se tornar opressivo, e a inveja e outros sentimentos ruins crescem como mato em terreno malcuidado. 

Não estou aqui para dar a resposta quanto à motivação como funciona pata todas as pessoas, nem tenho a pretensão de entender como mentes tão diversas funcionam. Mas acho que se há uma dica que eu posso dar, é a mais boba possível: É necessário pular.

Não, pular não é nenhum termo mágico ou super-erudito. É um análogo a "meter as caras" ou o meu favorito" meter o louco". Na minha cabeça, o quanto você progride em algo muitas vezes depende mais da sua disposição de meter o louco do que da sua capacidade técnica, influência ou background. 

O marido da Amanda nos diz para cometer erros fantásticos, Ira Glass nos diz para produzirmos coisas ruins até conseguirmos chegar nas coisas que queremos (na sensacional teoria The Gap: https://vimeo.com/85040589), Amanda nos diz para aceitarmos ajuda, Henfil nos manda encararmos o cachorro preto. O que todas essas pessoas tem em comum, além de serem fantásticos criadores de conteúdo e super respeitados no meio cultural?
Eles conseguiram achar motivação para terminar as coisas deles e expor para o mundo.

Cada um de nós carrega os próprios fardos, as próprias mazelas e os próprios medos. Ninguém pode te dizer que suas dificuldades não são enormes ou que entende sua dor melhor do que você. Mas as pessoas só conseguem te julgar pelo que você produz e mostra a elas. E para isso, é necessário produzir e se motivar para tal. Nem que seja para cuspir de volta no mundo que te dificultou tanto e dizer "Tá aí, porra! Eu terminei".