domingo, 21 de junho de 2009

Exija sua nota fiscal...ou não

Aviso aos navegantes: o texto a seguir não é lindo, não é poético e não é uma homenagem. Na verdade, ele é um tanto quanto segmentado, chato, bobo e tem cabeça de mamão.

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Finalmente caiu a lei que tornava obrigatório o diploma para exercer a funçao de jornalista. Sim, sou jornalista, passei quatro anos estudando isso e era a favor da queda. Por quê? Primeiro porque acho ridículo se exigir nível superior para exercer certos cargos no Brasil, país no qual apenas a minoria consegue concluir o 1º grau. É claro que para se tornar um neurocirurgião um indivíduo precisa estudar por muitos e muitos anos, não há o que se discutir nesses casos. Porém, existem diversas profissões que independem de técnicas acadêmicas padronizadas para serem bem desempenhadas. Em diversas áreas de atuação a vocação é o suficiente para formar um bom profissional.

A meu ver, um recibo de conclusão de curso [muitas vezes simplesmente financiado e não realmente merecido] para desempenhar o papel de comunicador é absolutamente desnecessário. A raça humana se comunica desde os primórdios e nunca precisou de certificado para tal. Para ser jornalista, por exemplo, basta ao indivíduo saber escrever, coisa que, felizmente, aprendemos logo no pré [para os que conseguem ingressar na escola] e do feeling em saber discernir o que é importante do que não é. Comunicólogos são pessoas munidas de um senso crítico natural. Senso este que não poderá, jamais, ser adquirido na íntegra apenas pela freqüência em salas de aula que discutem de Marilena Chauí ao jogo da seleção brasileira, enquanto muitos alunos saem mais cedo para não perder o paredão do Big Brother ou mesmo para ir ao bar dar uma calibrada nas idéias.

Aí vem neguinho e diz que desperdiçou dinheiro e tempo estudando. Eu digo: se você acha que acumular conhecimento e trocar experiências, por pior que tenha sido sua faculdade, é desperdício, desculpe, mas com ou sem diploma, você não deve ser um bom profissional. As pessoas deveriam enxergar sua opção de vida não apenas como uma mera forma de sobrevivência financeira e constante disputa no mercado de trabalho, mas como uma forma de realização pessoal, afinal, se sua meta é ganhar dinheiro e pronto, existem vários outros cursos muito mais promissores e lucrativos do que o abordado aqui.


Além disso, é muita utopia acreditar que o fim da obrigatoriedade do diploma vai mudar alguma coisa na dinâmica atual da profissão. Quem aqui, enquanto estudante de jornalismo, não fez como estagiário o mesmo trabalho de um efetivo por um terço do valor? Quem, depois de contratado, não deparou com o título de repórter no registro profissional, que, embora tenha as mesmas responsabilidades básicas de um jornalista, ganha menos e nunca precisou de diploma para trabalhar? Tamanha comoção só mostra o quão desinformadas algumas pessoas estão em relação à lei 972/69 e a insegurança de outras várias. São os jornalista que vivem reclamando da falta de liberdade de expressão vivenciada durante o regime militar, mas esquecem-se [ou nem sabem] que o diploma só se tornou obrigatório nessa mesma época, como mais uma forma de controle da informação por parte do governo.


Pois bem, meu diploma ficou pronto. Bacharel em Comunicação Social. A habilitação em jornalismo fica na parte de trás, em um carimbinho. Agora pergunto: o que faço com ele? Penduro num móbile em cima da minha cama? Porque sério, não é ter esse documento que vai fazer de mim, ou de qualquer outro indivíduo, um bom profissional e essa é uma das poucas certezas que tenho na vida. No entanto, não me arrependo nem por um segundo de ter me endividado para consegui-lo. Gosto do título. Gosto de estar 'academicamente' inserida nesse universo e confesso que escolhi jornalismo porque [peço desculpas antecipadas caso ofenda alguém com a conclusão dessa frase] acho que é a única vertente da comunicação realmente interessante. Pois é, aos jornalistas que andam encanados com a manutenção de seus empregos e com a 'desmoralização' da profissão, preocupem-se em aprimorar seus repertórios. Afinal, agora existe uma razão maior[?] do que o bom senso para não se acomodarem jamais.