sábado, 11 de julho de 2009

Quanto vale o show?

Esta semana, enfim, foi a audiência do caso do meu vestido que a lavanderia perdeu. É, a lavanderia perdeu o vestido que eu desenhei e mandei fazer pro casamento da minha irmã, já pensando também no casamento de uma grande amiga minha, 5 meses depois. O casamento da amiga era numa sexta, a lavanderia se deu conta do sumiço do vestido na terça, ninguém me ligou, eu fiquei sabendo por acaso na quinta à noite, véspera da sexta em que era o casamento. E mais: sem outra opção de roupa pra ir ao casamento, e sem tempo de providenciar, já que trabalho o dia inteiro com um horário de almoço super corrido. Ou seja: era a perda do vestido mais bacana do mundo, a falta de roupa pra ir ao casamento, a falta de tempo para tomar providência e o transtorno e a frustração que tudo isso traz. Pro juiz, isso tudo valia R$ 1.000,00. Pra mim, valia uns R$ 2.000,00, que dava pra mandar fazer outro vestido igual e ainda sobrava um trocado pra valer pelo dia sem trabalhar e sem almoçar e pelo mau-humor na festa. Pra advogada da lavanderia, devia valer por aí também. Pro dono da lavanderia, não valia nada. E pra evitar mais dor de cabeça, acabei fazendo um acordo de R$ 550,00.

Voltando do Juizado Especial das Relações de Consumo, fui pensando no valor subjetivo das coisas. Não quero fazer propaganda de cartão de crédito, mas o que tem preço pra uns, muitas vezes não tem pra outros, e vice-versa.

Sabe a história do avião da Air France que fazia o vôo AF447 e caiu no mar? Pois é. Imagina quem calcula as indenizações que os familiares das vítimas vão receber! Quanto vale o príncipe descendente de D. Pedro II? Só porque ele era príncipe? E o bebê? E se ele fosse bebê de proveta e tivesse custado caro pros seus pais? E se ele fosse herdeiro de uma fortuna? E se ele fosse filho único de um casal que não pode mais ter filhos? E se ele fosse doador de medula e sua vida valesse por duas? E a vida inteira que ele tinha pela frente? Tinha um casal? Será que era a única chance de dar continuidade a uma família? Será que eles eram responsáveis pelo sustento dos seus pais, idosos? Será que eram voluntários num hospital de caridade e ajudassem a salvar a vida de outras pessoas?E aquele pai de família? Quantas pessoas dependiam dele pra viver? A esposa, os filhos? E aquele outro que não trabalhava, não sustentava ninguém, não era voluntário nem fazia caridade, não era príncipe nem bebê de proveta? Que falta ele faz pra família dele? Que falta ele faz pro mundo? Quanto ele valia?

Quanto custa existir? E quem calcula o preço de não existir mais, pra quem vai e pra quem fica?