quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Interior

(Edgar Degas)

Com medo de procurar o que havia dentro de si,
Juliana deixou-se ficar deitada na sala de cores almodovarianas.
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Num puff macio e gelado.
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Não queria encontrar com ninguém.
E isso obrigatoriamente implicava encontrar-se consigo mesma.
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Era esse o perigo.
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Desesperou-se ao pensar no nascimento de possíveis garras sádicas.
Rasgando-lhe o ventre e tentando fugir.
_ Sou eu! Deixe-me sair!
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JAMAIS.
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Jamais Juliana deixaria que seu pequeno ser escapasse e passeasse (assim inconcluso) pelo mundo.
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Dispersou a fumaça do incenso.
Levantou.
Bateu os dedos nos cabelos curtos.
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Saiu da sala e trancou ali toda e qualquer vontade de se libertar.
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* Um mimo pra Juliana Cruz