quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Foi a primeira (5º) vez que Zé pôde tolerar

Ninguém tem que se foder. Ô desejo nojento esse de se ter. Uns três meses atrás estava eu e Juca conversando quando Zé chegou. Bêbado, sujo, barbudo e chorando. Zé é mais velho que eu, amigo de infância do Juca. Juca acalmou o Zé.
Zé contou que seria a última vez que veriamos ele naquele estado, dia seguinte estaria internado.
Basta, ele disse. O quinto basta, segundo Juca. Vai na fé Zé, dissemos, e Zé se foi. De moleque nunca entendi o porque de querer que o outro se fodesse.
Hoje entendo, que pena. Coisa fácil é alimentar raiva, preguiça, é perder paciência e julgar de prima.
Na ida pro curso vi o Zé sentado na calçada da padaria.
Bêbado, sujo e barbudo. Não chorava. Já é alguma coisa, ou não.
Zé deve inventar novos prazeres. Invente, Zé. Dê um basta. O sexto basta.
Ninguém tem que se foder, Zé.