segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que aprendi no último ano

A resiliência depende do otimismo. Sempre comprar uma caixa extra de suco. Bolachas são amigas. Muito cuidado ao ficar pedindo para viver de brisa, porque a ventania pode vir mais forte do que você pode suportar. Um pouquinho de corante na água faz o arroz ficar com cara de comida de restaurante. Se a Espanha não ganhar o próximo Mundial, com o time que tem, não ganha nunca mais. Algumas pessoas sempre te julgarão pela imagem que criaram de você, não importa o quanto você exija que elas escutem as suas palavras. Libertar-se dessa gente é das tarefas mais difíceis da vida. Mas não impossível. Um uniforme pode fazer um menino virar homem. Frases que rimam continuam sendo a minha perdição. É possível passar mais de um mês sem chocolate. Mas não faz muito sentido. Naqueles dois segundos que te levam para enfiar as pernas embaixo da coberta são os que revelam realmente se o dia foi bom ou não para você. Visitar Portugal é ir ao Brasil pela metade. Não é metade do caminho até o Brasil. É estar no Brasil, mas não estar no Brasil. O mundo velho tem igrejas demais (estou falando contigo, Itália). Mas ainda vale a pena entrar em todas só para ver se alguma delas tem um toque diferente. A tolerância cresce de acordo com o nível de solidão. O segundo semestre do ano, na Espanha, é sempre melhor, porque as estações, assim como os humanos, relutam em lidar com o próprio fim. Então o inverno engole a primavera, mas o verão engole o outono. Não há como definir a Espanha. Touros e castanholas são como o biquíni e o carnaval. O jornalismo espanhol não é perfeito, mas tende a ser menos criminoso com o idioma. A regra do “olhou pra mim, é meu amigo”, nascida no Canadá, não é universal. Não tenho a mínima vontade de morar em Barcelona. Ainda não terminei de fugir, mas já comecei a incluir nos planos as fugas que não exigem deslocamento físico. Torcer para time pequeno é tão bom quanto torcer para o Maior do Mundo. O galego é o idioma mais fascinante que já conheci. Vai ser difícil largar o vício do “vale” e evitar os olhares estranhos. O termo “low cost” vai mudar o mundo e, como sempre, isso é bom e horrível ao mesmo tempo. Há 367 dias não tomo Guaraná ou como pão de queijo feito por alguém que não seja eu. Esse recorde perdurará por mais 27 dias, quando começará a contagem regressiva para tomar Estrella Galicia e comer tortilla.