domingo, 6 de dezembro de 2009

(des) costume do (des) apego

Não tenho a certeza de um sábio, tampouco a constância do amanhecer/anoitecer.
Não tenho lápis e papéis mágicos que levem a você umas linhas tortas, escrito: papai, eu te amo. Mas eu sinto, sempre.
Não tenho a forma mais branda para sanar a falta, mas tenho aquela que zela por mim desde o primeiro segundo de vida.
Não tenho ideia do tempo que resta. Não sei o que teu peito sentiu, nem consigo imaginar.
Teus olhos conversaram comigo em segundos cruciais. Minha mente sabia o que viria, meu coração se negava acreditar. Ele me empurrava a te encorajar, enquanto quieta, no silêncio e no escuro eu desabava mais um pouco.
Reaprender com a falta é um começo infortúnio e tolo. Doses diárias de desapego, incertezas, saudades e vontades súbitas de abandonar as horas.
O porto seguro desfez-se num tempo muito curto. Era hora de o barco zarpar? Era hora de eu ouvir adeus?
Das perguntas que estouram constantemente entre meus soluços, fico com a sensação de perda. Só ela acorda e dorme comigo todos os dias.

dcm

*isso estava guardado, selado, embalado pela minha dor, mas resolvi dividir para ir, aos poucos, me dando conta que agora, daqui para frente, assim será.
saudade é algo que não se calcula, não se explica e nem se tira, acostuma-se. Cá estou para aprender a me acostumar.