terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Correio elegante

--1--
Dedico a ti o primeiro parágrafo não por seres tu meu preferido. Não és. Mas teus lábios mornos que odiavam beijar-me e teus dedos frios que rechaçavam tocar-me me ofereceram quase meio ano de uma liberdade que só experimentarei de novo se um dia encontrar outro tu. Já sabemos que é único o conjunto de 56 pintas, músculos magros, apito, bloco de notas, quepe de piloto e roupa de adolescente que formas com um muro intransponível ao redor. Por isso te escrevo esse recado, o primeiro, como agradecimento.

--2--
Levo-te do lado de fora no pulso esquerdo e do lado de dentro no coração. Tua companhia me enche de tudo o que eu preciso quando preciso, mas sei que a reciprocidade não te é suficiente. Difícil entender porque parece que nossos diálogos estão em algum roteiro escondido atrás dos espelhos. E me recuso a chegar a uma conclusão por minha conta. Me ajudas?

--3--
Nossa sinceridade é mais especial que todas as coincidências que nos aproximam. Queria ter demorado menos entre conhecer-te e te conhecer, mas o passado e o futuro são palavras vazias agora.

--4--
Pela primeira vez, você é a porta e eu sou o muro. Mas, além da maçaneta sem chaves nem trancas, seu olho é mágico. Que ele não se transforme em binóculo.