quinta-feira, 22 de abril de 2010

O priapo dele.

Eu tinha 17 anos quando o conheci. Era uma segunda-feira, dez horas da noite.
Ao nosso redor muitas pessoas, mas nada disso o fazia sentir vergonha de me olhar e gemer. Ele falava coisas que até então eu achava que era pecado ouvir. No fundo, eu me deliciava em ouvir as palavras sensuais que ele tanto dizia. Algumas eu pouco conhecia, mas toda aquela inteligência era extremamente afrodisíaca e me deixava louca, mas eu não podia – nem devia – demonstrar aquele fervor em meio a tanta gente. As palavras, os gestos, os atos. Ele narrava detalhadamente e com tremenda perfeição tudo o que havia ocorrido. O arrepio tomava conta de mim. Era muita sensualidade para uma menina de apenas 17 anos. A vergonha deu lugar à vontade de vivenciar tudo aquilo. Minha paixão não era por ele, nem por suas palavras. Era, na verdade, pelo seu priapo, seu pica-flor, ou como mais desejava chamá-lo. Gregório nunca tinha sido tão bem explicado em uma aula de literatura. Fernando havia conseguido. Se tornou um exímio intérprete do tão promíscuo poeta. Até as freiras do tal poeta o aclamaram: aleluia!