quinta-feira, 3 de junho de 2010

Veio um segurança procurar você

Cheguei do supermercado, carrinho cheio de compras e cabeça na lua, quando a Elisa, que trabalha comigo, falou assustada:

-Marcela, veio um segurança do shopping e uma moça aqui atrás de você.

Fiquei tão assustada quanto ela. Mas como é essa moça? O que ela disse? Que horas? Eles disseram se voltam? Na falta de respostas, fui atrás do tal segurança. Grande, forte, negro, como ela falou. Não achei.

Fiquei martelando o que seria. Na melhor das possibilidades, algum cliente procurando uma chave perdida. Mas não, perguntaram pela Marcela. Eles sabiam meu nome. Isso cheirava problema. Um carro riscado no estacionamento? Não, faz tempo que não faço barberagens. Mas e se bateram no meu? Corri lá pra verificar. Tudo certo, nenhum arranhão. Pelo menos nenhum arranhão novo.

E se fossem assaltantes disfarçados? Será que eles acham que eu tenho uma chave do cofre, algo assim? Mas aqui nem tem cofre. E se fossem seqüestradores? Eu não sou seqüestrável, mas eles não devem saber. Até explicar eu já estaria presa em um cativeiro.

Tentava me controlar, “vai ver é algo mais leve, algo que eu sai do supermercado sem pagar”. Tem aquela moça da loja de bolsas, aquela que eu briguei. Vai ver veio tirar satisfação. Mas e se ela contratou um segurança pra me bater? Melhor ficar quietinha aqui dentro.

Já estávamos no fim do dia, eu com a cabeça cheia de especulações, quando o moço da manutenção me chamou. “Ei, você é a Marcela, né?”. Era ele o tal “segurança”.

-Ah, é você estava me procurando com uma moça?

-Sim, é que falaram que você está colecionando figurinha da copa e a gente veio trocar. Você tem o Kaká?