sábado, 20 de novembro de 2010

Estrelinhas

Quando eu era criança, sempre que fechava meus olhos, na hora de dormir, tinha o breu dos olhos fechados invadido por milhares de pequenos pontinhos multicoloridos, parecido com estrelinhas, que ficavam rodopiando e navegando como cardumes sobre a escuridão.

Toda noite era assim. Depois de chegar da escola e passar as tardes pulando entre as árvores e brincando com os animais que meu pai criava no quintal da minha casa, eu me recolhia na noite e não tinha medo. Pois sabia que as estrelinhas, que era como eu as chamava, estariam lá para embalar meu sono.

Mas uma noite elas não apareceram. E depois e depois. Nunca mais me encontrei com as estrelinhas e descobri que isto era crescer.

Toquei a vida, comecei a construir meu caminho e atender ao chamado das expectativa de todos que me cercavam. Primeiro pai, depois mulher e enfim, filhos. Fui consumido pela rotina, embriagado pelo tempo, trabalho e dinheiro mas, ao conversar com minha filha, descobri que, todas as noites, as estrelinhas a visitavam.

O mundo girou ao meu redor e percebi – acho que a tempo – o que estava fazendo com a minha vida. Entregando meu tempo e inspiração por um punhado de moedas, em troca via, pela janela, passar meus dias mal vividos, como um espectador distante.

Voltar a brincar foi estranho, mas era preciso... logo estava pensando em como pude deixar de fazer isso com minha filha por tanto tempo. Minha filha enfim estava re-ensinando a viver e eu, um bom aluno.

Na noite passada estava preocupado com o que poderia publicar neste blog, mas quando fechei os olhos percebi que as estrelinhas voltaram.