domingo, 21 de novembro de 2010

O Retorno

"- Passa a gilette na minha nuca?"
"- Hum, quer ficar bonito para quem?"
"- E desde quando eu sou bonito?"
"- Risos! Para mim você continua sendo..."
"- Humpf!"

A mulher pegou o aparelho de barbear e começou a raspar os pêlos que insistiam em crescer desalinhados na nuca do marido. Há tempos eles não tinham tanta proximidade física, pois estavam passando por um período em que cada um estava ocupado demais com seus próprios afazeres. Ela aproveitou-se do momento para roçar maliciosamente os seus seios nas costas dele que ficou meio sem entender suas intenções. Minutos depois:

"- Prontinho, está feito!"

Teso e tenso, o homem puxou com força sua esposa pelo braço que caiu sentada desajeitada no colo dele. Antes que alguém pudesse reclamar ou se manifestar, beijaram-se primeiro suavemente, depois com mais intensidade...

Com a chama do desejo acesa, ambos se lembraram porque tinham resolvido namorar e depois engatar o relacionamento em um casamento. Não entenderam porque tinham se afastado tanto. Em instantes, as mãos já estavam entrando por dentro das roupas e vasculhando partes úmidas de seus corpos até atingirem o clímax quase que simultaneamente.

De repente, lembraram-se do compromisso:

"- Que horas são?"
"- Quinze para o meio dia..."
"- Puta que o pariu! O táxi está aí desde às onze e meia!"

Desceram correndo os lances de escada do prédio que estava sem luz. O taxista estava com a costumeira cara amarrada de sempre:

"- Toca pro metrô mais próximo, xará!"

Chegaram na estação sorrindo e de mãos dadas, mesmo tendo pago alguns minutos a mais na corrida.