sábado, 4 de dezembro de 2010

Depois de estourar tempo regulamentar

Moro em Poços de Caldas e trabalho em São Joao da Boa Vista. Vou e volto todo dia. Quarenta minutos de carro. Perto, né? Eu gastava mais tempo quando morava em São Bernardo e trabalhava na Paulista. Não quis me mudar e assumir o peso de aluguel e gastos com casa (prefiro gastar meu dinheiro com coisas supérfluas), e muito menos quis morar em republica, não a essa altura do campeonato. Digo que já esgotei minha cota de repúblicas, pois convenhamos, é uma merda.

A maioria acha uma loucura viajar todo dia, mas eu gosto da ideia de voltar pra minha cidade, pra minha casa, pra minha cama e, principalmente, dormir de edredon. Gente, dormir descoberto não é vida, ok? E não, em São João não seria possível, lá é um calor dos infernos. Saio de casa de blusa de frio e chego lá implorando por uma havaiana.

Acho curioso que duas cidades tão perto sejam tão distintas. Além do clima, o comercio é totalmente diferente, com umas lojas caríssimas, o que me leva a crer que lá as pessoas tem mais dinheiro. Lá falam “acha?” o tempo todo, uma interjeição que não entendo muito bem e quase todo mundo tem o sobrenome Vasconcellos.

Os São Joanenses se orgulham muito do seu crepúsculo. Dizem que é o mais bonito do país. Fico pensando: onde se julga isso? Existe o comitê nacional do crepúsculo? CNC? De qualquer forma não posso contestar. Cinco horas da tarde eu já estou no ônibus de volta. E falam assim mesmo, crepúsculo. Antes da trilogia dos vampirinhos. Eu prefiro entardecer. Ou pôr-do-sol. Bem mais bonito.

Outra curiosidade é a luminosidade da cidade. A segunda cidade mais luminosa do brasil. A culpa é da topografia, dizem. E parece que isso não é uma coisa boa não. Falam em até alto índice de suicídio. Parece que o cérebro não reage bem a toda essa luz. Acho que os neurônios fritam, sei lá.

Dai já não sei se fui sugestionada, mas agora começo a achar a cidade clara demais mesmo. E é uma luz que cansa. Muitos já me indicaram usar óculos escuros na rua. Nem trabalho tanto assim, mas chego totalmente esgotada em casa, a ponto de só querer dormir, dormir, e não conseguir ter ânimo de fazer nada, nem de pensar em blog, desculpem. Mas cá estamos, porque mais do que sentir cansaço, eu sinto culpa.