terça-feira, 27 de dezembro de 2011

no novo ano, conseguir

neste ano, eu consegui ler Anna Karîenina, com suas 816 páginas. mas não consegui ler O homem sem qualidades, como havia planejado. para uma professora de literatura, deveria soar estranho o verbo "conseguir" na frase anterior, afinal livros literários são a matéria-prima de minha profissão. mas o certo é que talvez não exista hoje nenhuma instituição pública mais burocratizada do que a universidade. não foram poucas as vezes em que me sentia "irresponsável" porque estava lendo um livro, pois havia sempre um sem fim de formulários a ser preenchidos, de projetos a ser aprovados, de orientações a serem dadas etecetera

tenho pensado muito nisso. de como é preciso escavar contra a estranheza das instituições. a estranheza da vida. uma luta branca mas permanente para não vivermos como autômatos. para pertencermos, sem a perda de nós mesmos, do que consideramos como essenciais para manter nossa integridade, nossa fé nas pessoas e na vida. porque a vida não é natural. não é mesmo. então é isto que eu desejo a todos - as outras 29 pessoas que escrevem aqui. e aos tantos leitores que por aqui devem passar. que no novo ano consigam. consigam tudo que, fora da ordem imposta, os façam mais inteiros.
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