quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Qualé, mané?!

É, eu devo mesmo tá ficando velho.  É a única explicação pra falta de tolerância que vem me acometendo, dia após dia.  Confesso que eu sempre fui partidário do “deixa pra lá”, “esquece, não foi por mal”, “vai se estressar por tão pouco?”, mas, ultimamente, tenho estado mais pra turma do “Não fode”, “vá encher a mãe” e “tá pensando que eu sou otário, Mané?"

    Tá que, às vezes, penso se o problema é meu ou se é do enxame de chatos que apareceu na minha vida, de uns tempos pra cá.  Desde o parente sem noção até o vizinho pentelho, o encosto dos pé-no-saco baixou no meu caminho e não me larga nem com reza braba.

    Dia desses, ocorreu algo que surpreendeu a todos - principalmente, eu mesmo.  Estava eu esperando o ônibus, há quase duas horas, e, quando ele finalmente chega, o motorista me aparece, com uma cara de pau, pedindo que eu “pulasse” a roleta.  Isso depois d’eu ter pago a passagem.  Sim, eu havia pago a passagem.  Subi no meu salto 15 e o monge budista que habita dentro de mim foi pras cucuias:

    - Tá pensando o quê, Mané? Que eu sou otário, é? É só a cara, rapá! É só a cara!

    O motorista, espantado, pediu desculpas, mas eu já tinha baixado o barraco, a favela inteira.  Continuei gritando, o resto da viagem, feito  profeta no meio do deserto:

    - Vai tirar onda com a cara de outro, ouviu? Tá pensando o quê, porra?!

    Naquele dia, os passageiros daquele ônibus é que devem ter tido certeza que um chato havia atravessado o caminho deles...