quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Bolo

Lembro de uma amiga que fazia um bolo sempre que sentia tristeza ou desespero. A ideia de poder compartilhá-lo a acalmava e o bolo a fazia preocupar-se mais com calorias do que com calor humano. Fui correndo pra cozinha, mas a única coisa que achei de interessante foi um miojo. Praguejei. Miojo não é feito bolo, que aquece a casa e dá pra dividir; mas fica pronto em três minutos (dizem), e eu tinha pressa. Além disso, era o que tinha.

Aconteceu que, no meio do processo todo, o gás acabou. Mas será possível, maior frio lá na rua, meu peito aqui ardendo em exageros e não tem gás? Sentei no chão da cozinha e fiz meditação, pensamento positivo, pra que alguém chegasse e me convidasse pra jantar. Não deu certo. Resolvi ir pra cama mais cedo roendo uma maçã. Mas o que as maçãs entendiam de solidão? O melhor que uma maçã poderia fazer naquela hora era descer de qualquer jeito e entupir o esôfago, causando um engasgo, só pra animar mais a noite.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do celular, chegou mensagem. Era a tal da amiga:

 "Fiz um bolo, vem pra cá?"