domingo, 17 de junho de 2012

O meio do ano

Embora haja toda a correria de compra de presentes, ceia de Natal, rodoviárias e aeroportos abarrotados, creio que no final do ano as pessoas estão mais aliviadas. O ciclo está fechando, outro ano está começando e, apesar dos pessimistas insistirem que tudo continuará igual, os ritos de passagens mostram que a mente precisa, e digo precisa, acreditar no novo, no recomeço. Faz parte de nós essa necessidade de vigor novo. Faz parte de mim, pelo menos. E é por isso que acho que o meio do ano é a época mais propensa a irritações, estresses e surtos. Metade do ano passou, metade do ano de trabalho, de trânsito, de medo da violência passou e agora tem (ainda!) mais outra metade do ano pela frente. Uma colega de trabalho foi ao médico essa semana e ele a aconselhou:
- Tenta tirar umas férias...
- Mas eu acabei de tirar férias, doutor!
É o meio do ano que faz isso com a gente. E, pra ajudar, julho e agosto têm 31 dias e nenhum feriado nacional, morram! Como não se pode passar incólume por essa época ingrata, sugiro uma grande festa, um réveillon fora de época. Fogos, champagne, toda a sorte de superstições, todo mundo de branco, bem esperançosos comemorando a chegada de mais um meio de ano. Não se trata de mudar o calendário. Só um ritual para segurar o tranco. Como diz Drummond, 12 meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Já que estamos cansados antes disso, nada melhor do que o milagre da renovação para amaciar o meio do ano, deixando-o mais tragável. 
Já estou com minha lentilha, 6 uvas e champagne a postos. Que comece a contagem regressiva!