quinta-feira, 19 de julho de 2012

A visita (parte 17)

Vai saber porque o nome Santíssimo Sacramento de repente não saía da minha cabeça. O moço da rodoviária disse que só tinha uma Colônia do Sacramento em Uruguai.
- Pode ser, então. - E fui.
Assim que cheguei na cidade, sem ter noção de que caminho seguir, andando pelas ruas tentando entender o que eu fazia ali, dei de cara com uma igreja enorme. Eu nunca fui muito ligado em igrejas, sempre achei meio misterioso demais. Aquela, em particular, chamou a atenção. Entrei. O nome da igreja - descobri logo - é Santíssimo Sacramento, e a essa hora o meu coração já estava na boca.
Não tinha ninguém na igreja exceto uma senhora limpando o chão do altar. Fui me aproximando olhando em volta os detalhes daquela igreja pensando em como a arquitetura era mais minimalista antigamente quando a senhora soltou um grito. Me olhando fixamente, as mãos tremendo, ela deixou cair a vassoura e parecia em pânico ao me ver.
Eu não sabia se devia sair correndo ou ajudar a velha. Me aproximei. Estava dentro de uma igreja afinal. Ela me abraçou com tanta força que suspeitei que estivesse tentando me sufocar. Eu não costumo ser tão neurótico mas tenho motivos justificáveis pra suspeitar do que eu quiser ultimamente. Quando conseguiu se recompor, a velha se retirou e voltou com uma foto minha nas mãos e um endereço.
- Ela sempre falava de você. - Disse.
O endereço me levou ao que achei ser o destino final de Ramona. Lá estava a foto dela em uma lápide simples. A foto rodeada por trevos simétricos. Sete deles. Embaixo, sem nenhum dizer, constavam apenas a data de nascimento, a de falecimento, e o nome Carmen Diaz.