sexta-feira, 13 de julho de 2012

A visita (parte 11)

Com a cabeça a mil, sentiu-se exatamente numa história de Lewis Carroll. Era uma Alice perturbada; descobrindo portais, com a vida em queda livre. Num mundo das maravilhas ao contrário, também tinha sua pequena chave ao final da queda e nenhuma pergunta respondida. Ao invés da rainha de copas tinha um sete de paus que lhe cortava a mente.
Antes de concluir meu último pensamento, levei a mão no pescoço para segurar o pentagrama.Ele não estava lá. Foi em vão. A vida pareceu em vão. 
A voz de Carmem propagou numa atmosfera sem gravidade atrás de mim. O poster na parede, que era uma cópia barata dos Girassóis, com as pontas gastas e dobradas derreteu e escorreu pela parede em um amarelo purulento. Van Gogh virou Dali.
Tudo na sala foi se misturando em cores gelatinosas em efeito slow motion. O copo de suco despencou da minha mão e o líquido laranja dançou como num balé do Bolshoi.
A única coisa que fui capaz de sentir foi o líquido gelado no meu rosto dormente.
Horas mais tarde, amarrado numa cadeira, eu me lembraria de Carmem falando em voz alta e tremulante que o caminho para sair daqui dependia muito do lugar para onde eu queria ir.