sábado, 14 de julho de 2012

A visita (parte 12)

Vi na mesinha de centro o resto de um chá que Carmem havia preparado para nós. Quando perguntei a ela o que havia na bebida, ela apenas me perguntou se eu conhecia a espécie de cogumelo Psylocybe mexicana. E gargalhou, dançando no meio da sala e cantando "All My Loving" do Paul. O efeito havia passado pra mim, mas não pra ela que estava completamente fora de si. Quando voltei a atenção para mim mesmo não estava amarrado, apenas pressionava um pulso contra o outro com os braços voltados para trás, o quadro estava intacto, e o copo com suco continuava marcando a estante da sala. 

O roupão de Carmem estava se abrindo, e dentro dele se exibia um corpo tão esplendido quanto o que eu lembrava que era o de Ramona. Por algum tempo fiquei hipnotizado com o modo que ela cantava e dançava. Mas logo cai em mim e me levantei, envolvendo Carmem pela cintura, a sentei no sofá e implorava para que se acalmasse. O efeito não devia ser muito longo, então eu fiquei ali, parado esperando que Carmem voltasse a ser ela mesma e pudesse me explicar tudo aquilo. 

Eu queria dizer a ela que já sabia para onde eu queria ir. E que na verdade eu só queria me livrar de toda esse feitiço, essa história sem pé nem cabeça, esse apartamento estranho.

Meu celular, que estava no bolso da minha blusa, vibrou alertando que uma mensagem havia chegado. Quando eu olhei o visor não pude acreditar. Depois de três meses de total silêncio e logo quando todas essas coisas estão acontecendo, Ramona decide dar o ar da graça ...