segunda-feira, 16 de julho de 2012

A visita (parte 14)

Antes de tentar interpretar o mapa tive a preocupação de colocar para tocar a sétima música que é a que mais gosto. Com  Heart of The Country ao fundo, acendi o Marlboro Light, após a primeira longa tragada, pude avaliar o mapa mais adequadamente e me surpreendi.


Porra! O que o mapa de Colônia del Sacramento está fazendo aqui!?


Respirei, não deve ser nada demais, apenas veio furtivamente uma lembrança de São Paulo, de quando eu tinha um emprego de merda, mas que proporcionava viagens como esta e que eu tinha um amor.


Amor que com o tempo só me traz vergonha da ingenuidade, o combustível para o clamor dessa mudança toda. Sabe e daí?


Fiquei pensando se realmente estou tão ruim assim. Para ter certeza, um coloquei uma dose bem servida de whisky, com 2 pedras de gelo e nesse momento já estava tocando Long Haired Lady. Tudo estava tão confuso e que já não me lembrava mais de ter ouvido Eat  at Home.


Ramona? Não sei se realmente estou tão preocupado assim? Carmem? Eu quero comê-la, não me importo quem seja ela, pouca diferença faz se ela está com a Máfia Russa ou o PCC. Peça roubada...?

Após aquela golada vigorosa que somente os machos dão num whisky, logo após pude ouvir ao fundo de tudo:


"Borboletas se equilibram no espaço
  Um muro velho em minha face
  Uma cadeira flutua num espiral.
  Flores em minha camisa numa tarde do bairro
  E enquanto caminho pelas ruas da cidade,
  Lembro que uma sobremesa me espera em casaaaa."


Perto do fim de minha consciência, pude observar em terceira pessoa, cartas de 7 paus chovendo em minha sala, a Carmem entrando com um pudim pela minha porta.