domingo, 8 de julho de 2012

A Visita (parte 6)



  Enquanto ajeitava minhas calças, olhei para a moça ruiva, tentando lembrar de onde a conhecia.
  
  -Não se lembra de mim? E disse meu nome.
  -Carla, Claúdia, Carmem, Carmem!

  Carmem era uma amiga da Ramona, da época em que estavamos juntos e saiamos em casais. Depois que Ramona e eu desmanchamos entre brigas e ela começou a sair com outros rapazes, eu parei de sair com os casais, virei uma peça, metade, totalmente inútil para barzinhos e viagens onde um casal é pré-requisito. 

Carmem estava diferente, deixou o ruivo natural, anos atras tingia de loiro, estava mais magra, bem mais magra agora.

  -O que faz aqui? perguntei.
  -Estou saindo com o seu vizinho, do 37, às vezes durmo aqui.
  -Você que tem me seguido?
  -Não!
  -E o sete de paus?
  -Do que você está falando?
  
 Depois do interrogatório indelicado, chamei Carmem para entrar, para conversarmos melhor. Queria, perguntar logo da bebida, da chave, da jaqueta, da Ramona, se ela sabia de mais alguma dessas coisas. Mas não queria espantá-la, e antes precisava amacia-la com aquele blá-blá-blá, de por onde andou, como está, como anda o pessoal que saíamos antes, e todo aquele texto padrão que minha ansiedade ao vê-la atropelou.

  Ela espiou o 37, provavelmente para verificar se seu novo caso ainda dormia. Depois ainda sorrindo, me deu um abraço, e entrou no meu apartamento sentou no sofá, e colocou os pés descalços na mesa de centro.