segunda-feira, 9 de julho de 2012

A visita (parte 7)

Sentei no sofá de frente para ela e tentei pronunciar a primeira palavra... mas não saía nada. Cena patética. Cena, no mínimo, pueril. Ou coisa de adolescente. Eu doido para perguntar sobre a Ramona, sobre o bar, porém não conseguia desenvolver a introdução da conversa. De repente, olhei para Carmem. Ela parecia mais madura, mais mulher. Muito diferente daquela amiga da Ramona sem sal, sem graça que eu a conheci. Ai que patético! Eu o cara bom de papo, não conseguindo começar uma conversa. Bem, consegui quebrar esses milésimos de segundos (para mim pareceram uma eternidade) perguntando se ela queria beber algo. Ela diz que sim. Prefere um xícara de café bem quente. Ufa, vou sair um pouco daqui. Minutos depois volto da cozinha com o café. Entrego-lhe a xícara, mas esqueço o açúcar. Volto à cozinha apressado. De repente, no retorno para a sala, vejo Carmem em frente da janela, a luz do sol dá um novo brilho ao seu cabelo ruivo natural, a fumaça do café fazia uma imagem de filme noir ou de arte. Fico perplexo com a cena. E quando Carmem arruma o cabelo, vejo na sua nuca... (Fudeu, será que estou me apaixonando pela Carmem?!? Pronto, nem bebi nada ainda. Isso não deveria estar acontecendo. Mas ela está linda, radiante, atraente! Não entendo nada. Acorda! Muda o pensamento.) ... vejo na sua nuca uma tatuagem: o 7 de paus!