segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Nem tão de repente, 30

Aconteceu hoje de manhã quando eu estava no ônibus, desses fretados, a caminho do trabalho e percebi que consigo encostar a cabeça naquele ombrinho do assento. E aí eu pensei "puxa, agora sou adulta". Quando eu era pequena, enquanto fazia de conta que esses ombrinhos eram peitos com meus irmãos (hahahaha) e minha mãe mandava a gente se comportar, pensava que o dia em que eu sentasse no ônibus e a minha cabeça encostasse neles estaria bem longe; e hoje eu achei essa lembrança de infância tão próxima…

Assim com essa, outras lembranças vieram à tona com uma velocidade incrível, talvez a mesma velocidade com que os últimos anos depois dos 25 têm passado pra mim, e de repente parei pra pensar que, dos últimos cinco anos, tenho mais dias trabalhados e responsabilidades acumulados e a internet ocupando mais espaço do meu tempo do que devia do que histórias e fatos marcantes pra contar. Talvez isso seja ser adulto. Pra maioria parece ser, mas eu não concordo com isso.

Pra maioria dos meus amigos e pra maioria do mundo, chegar aos 30 anos é o Everest da vida. O topo. E o declínio ao mesmo tempo. A hora de descer. O começo da velhice. O fim da juventude e suas alegrias. E o combo daquelas coisas todas que as pessoas acham que têm que cumprir pra sociedade até essa idade: casar, ter um carro, a casa própria, ter um trabalhando fixo, filhos, manter o peso, bla bla bla… Vejo amigos na faixa dos vinte achando os 30 anos pensando bem assim, o fim da linha. Hahaha. Dá até pra comparar com o que o Will Eisner diz sobre os anos 30: Os Anos Sujos.

Na real acho essas metas meio babaquice, coisa de quem não conseguiu fazer o que queria na vida e transfere a cobrança aos mais novos como herança que, por ser o caminho mais fácil, acabam seguindo a correnteza da vida normalzinha; daí, quando chegam nesse tal topo e percebem que mais foi feito pelos outros do que para si próprios, a culpa é da idade. Isso quando não esperam a velhice de verdade pra pensar no que poderiam ou queriam ter feito. Cada um faz o que quer da vida, ok, mas repara no tanto de gente que segue essa rota e está insatisfeita. Quem disse que precisa ser assim? Quem te obriga, ou nos obriga a ser assim?

Sei lá. Eu lembro que morria de medo de ser adulta, e em todos os meus aniversários pedia pra ser criança pra sempre. Achava que ser adulto era uma chatice e tinha medo de não saber viver quando chegasse lá. Mas talvez por sempre ter ido de propósito na contramão das coisas ditas normais, e por sempre ter convivido com grandes diferenças de idade, observando a vida dos mais velhos, decidi que não ia deixar acontecer o mesmo comigo. Aprendi que, quando nos limitamos muito em certos "prazos" pra certas coisas, envelhecemos e entristecemos mais. Claro, em algumas situações esse limite é totalmente necessário, mas expectativas em excesso frustram. Mais tarde tive provas disso - do quanto me cobrei pra passar na USP quando tinha 17 anos e de como passei um mês triste na sarjeta pelos 4 pontos que faltaram pra que eu virasse jornalista, por exemplo. Hoje desenho embalagens, e dou risada quando lembro disso (mais ou menos, um dia eu enfrento a USP de novo). Sem contar as situações em que sonhos precisam ser abafados  em troca de necessidades, tem gente que passa a vida assim, o que é mais triste ainda. 

Talvez essa coisa de ai merdaaa, 30 anos não tenha batido tanto em mim porque nunca me permiti isso. Se vai ser bom ou não, depende mais de mim, não? É aí que aquela frase de power-points "faça o que você gosta sem se importar muito com o que vão dizer" faz sentido porque, quando a gente se ferra, pelo menos vale a pena.

Pra mim, fazer 30 anos é como poder ser adolescente pela segunda vez, só que com dinheiro, autonomia e maturidade (pra alguns, rs). Sabe quando a gente lembra dos nossos 16 anos e pensa "queria voltar àquela época, mas do jeito que sou agora"? Pra mim, 30 anos é meio isso. Lógico que os perrengues, as responsabilidades e os medos existem, alguns existirão pela vida toda, mas justamente por chegar agora "no topo" , penso que não há momento melhor de pensar em tudo o que me trouxe até aqui e o que preciso/quero fazer agora para planejar uma "descida" digna. 

Daqui 10 dias completo 30 anos. Ainda com medos a trabalhar, muitas responsabilidades, vontades e coisas a aprender. E desejando que venham mais 30 anos pra que eu possa cumprir tudo o que venho planejando, e que eu continue sendo criança pra sempre, hahaha. 

Peço desculpas pelo texto longo e um tanto quanto pessoal - pensei em mais um monte de coisas, mas aí o ônibus chegou no ponto, tive que descer e cheguei no trabalho, etc - mas, sabe como é, estou ficando velha, e velhos gostam muito de falar. 
E meu aniversário está chegando, deixa eu! Rs.