domingo, 2 de setembro de 2012

Apenas mais uma história de amor


(O pequeno conto abaixo foi escrito tendo como ponto de partida a letra de uma música lançada em 1970. Seu conteúdo é cem por cento fictício.)

Paulo Simão conheceu Cecília numa festa pra lá de bizarra em um simpático apartamento de um casal de artistas plásticos em Nova York. Foi uma paixão fulminante à primeira vista. Os dois se atracaram na cozinha e passaram os próximos dias enfurnados na casa dele fazendo amor o dia todo. Só saíam de casa para comprar cigarro, bebida e comida. Trinta dólares eram suficientes para pagar o aluguel do apartamento de Paulo na Bleecker Street - algo absolutamente impensável para os dias de hoje. No quinta ou no sexto dia de cativeiro, Cecília começa a se comportar de maneira fria e distante. Paulo percebe, busca saber o que está acontecendo, mas a moça não se abre. Diz apenas que está preocupada em arrumar logo um emprego. Depois de muita insistência, ela confessa que é ninfomaníaca, que ama Paulo, mas não consegue ficar sem fazer sexo com outras pessoas e que todos os seus namoros anteriores acabaram por esse motivo. Paulo fica sem saber o que dizer e a moça sai correndo do apartamento aos prantos. Depois de uma pequena perseguição pelas ruas de Nova York, Paulo a alcança. Os dois sentam no bar mais próximo.

- Se eu deixasse você transar com outros homens, você continuaria comigo?
- Claro... eu te amo! Quando estou amando alguém, é com essa pessoa que eu gosto de conversar, ir ao cinema, passear. Os outros só servem mesmo para saciar a minha vontade sexual. Nada mais.
- Mas e se eu fizesse sexo com você todos os dias? Não seria suficiente?
- Infelizmente não. 
- Nem duas vezes por dia?
- Não.
- Quantos homens diferentes por mês você precisa?
- Não sei dizer. Talvez uns cinco.
- Cinco?
Cecília começa a chorar novamente.
- E se esses cinco fossem fixos?
- Neste caso eles se tornariam amantes. Seria pior, não?

Os dois tiveram longas conversas e aos poucos foram conseguindo definir as regras daquele relacionamento insano. Paulo estava feliz, mas em alguns momentos, sobretudo quando sabia que Cecília estava com outro,  ficava deprimido em casa se achando um idiota. Cecília não sabia dessas crises e ele não queria que ela soubesse. Foi então que num desses momentos Paulo escreveu a música abaixo e descobriu que era exatamente o remédio que ele procurava para se sentir melhor. Quando a sua crise era mais forte que o normal, ele se encontrava para conversar com o André Garfânio, seu melhor amigo, e de quebra faziam um dueto da música. Paulo e Cecília se casaram alguns anos depois e André se tornou um convidado assíduo da casa que eles montaram no Brooklin. André e Paulo precisavam saber agora o que eles iriam fazer quando os dois filhos do casal tivessem idade suficiente para entender a letra da canção.


Cecilia, you're breaking my heart 
You're shaking my confidence daily 
Oh, Cecilia, I'm down on my knees 
I'm begging you please to come home 

Cecilia, you're breaking my heart 
You're shaking my confidence daily 
Oh, Cecilia, I'm down on my knees 
I'm begging you please to come home 
Come on home 
[ Lyrics from: http://www.lyricsfreak.com/s/simon+and+garfunkel/cecilia_20124635.html ] 
Making love in the afternoon with Cecilia 
Up in my bedroom (making love) 
I got up to wash my face 
When I come back to bed 
Someone's taken my place 

Cecilia, you're breaking my heart 
You're shaking my confidence daily 
Oh, Cecilia, I'm down on my knees 
I'm begging you please to come home 
Come on home 

Jubilation, she loves me again, 
I fall on the floor and I'm laughing, 
Jubilation, she loves me again, 
I fall on the floor and I'm laughing