terça-feira, 23 de outubro de 2012

The Wonder Years

Em 1993 eu estava na oitava série do primeiro grau comprando com dinheiro uma ficha telefônica para lembrar minha mãe de rebobinar a fita antes de devolver na locadora com quase 14 anos quando fui apresentada ao meu primeiro seriado americano. Chamava-se “Anos Incríveis” e passava na TV Cultura, diariamente às 20:00 (bem no horário do jornal nacional).


Naquela época não tinha Torrent e só tínhamos uma TV na sala. Meu pai dizia que não gostava de TV no quarto porque que isso separaria a família. Até hoje não sei se só tínhamos uma TV por falta de dinheiro ou por princípios mesmo. Prefiro acreditar na segunda opção. (Ele estava muito certo quanto à isso, e em várias outras coisas, mas só fui descobrir muito tempo depois). 

Era uma época em que respeitávamos nossos pais e toda noite eu assistia o Cid Moreira e sua voz de Bíblia e sonhava com a família do Kevin. No intervalo ou num xixi rápido do meu pai eu trocava o canal, mas era uma aventura conseguir assistir. De qualquer forma, no dia seguinte ficava sabendo tudo que havia acontecido com o Kevin Arnold pelas amigas da escola (hoje em dia seria como acompanhar pelo twitter, mas não em tempo real).

Odiávamos a vaca da Winnie Cooper e sonhávamos em conhecer um cara como o Kevin. Sonhávamos com alguém com sentimentos. Um menino de verdade.

Faz pouco tempo que baixei consegui todas as temporadas e a sensação de assistir chorando o Kevin crescendo foi quase tão boa quanto a sensação de encontrar o meu Kevin e de saber que me casarei com ele no próximo dia 10. 

Pois é, esse é meu último post solteira e recomendo à todos vocês que precisam restaurar a fé na humanidade (e quem não precisa?) um pouco de Kevin Arnold...