segunda-feira, 29 de julho de 2013

pergunta

sabe o que é zorra total? não? te digo sem medo de errar.  zorra total é a rede esgoto de televisão no encontro fantástico sem novidade e inovação de todo santo domingo, na tentativa sem sucesso e frustrada de convencer, ilustrar o que é hip hop e do que trata, o rap. faz me rir, gargalhar. é a piada mas sem graça do momento. e no estilo Ba Kimbuta, rio: 

HAHA HAHAHA HAHA tem que ter controle emocional, controle sim. 

ô zorra do caralho siga o conselho, continue no encontro fantástico e na programação imbecil de sempre, assunto sem graça a gente vê por aqui. e se copiar é uma arte, vem que tem. em busca da notícia, novidade perfeita atravessei a cidade, quer dizer a mente, sem câmera e repórter, sem salário de emagreça por milhões e seja garoto propaganda da co-pa e cozinha? ô vida de cão e  melhor estádio que hospital? êta mundo bom de acabar.

sigo a arte de transformar a velha notícia em novidade,
a mentira em realidade, o ditamos e os trouxas acreditam 
ou se preferir nada se cria, tudo se copia. e lembra disso?
acordei agora, maldita insônia, síndrome de zumbi e preguiçosa é apelido. por isso farei serviço de branca, porca, escrevo a prestação conforme forças, energia e drama. e se lembrou bem se não amém. reza a lenda que o evento aí é chupinhado, ou se preferir copiado do evento de deus. segundo dizem bem antes existira marcha para deus com católicos e protestantes pelo mundo, mais ou menos, desde 199ebolinha. sincera em dizer que não me recordo, nesse tempo, enquanto marchavam estava nos puleiros da vida assistindo show de malandros, maloqueiros, bandidos (palavras doces do meu pai para descrever o gosto musical da filha) em palanques nos bairros próximos e afastados. e que coisa não, os malignos copiando a deus vê se pode. e nasceu, vingou, criou-se a parada da paz.

e não me diga que acreditou no vídeo, afinal é propaganda e não tinha essa gente toda bonita e uau! gente que fala bem, politizada e blablá. tinha de tudo da ralé ao top, de toda cor, do lixo ao luxo, com roupas coloridas e desbotadas, feia e bonita, desdentada e descabelada, nua e comportada, gay e hétero o bastante para serem machistas e ridículos em agredir qualquer um que cruzasse o caminho. a vantagem de ser vadia, ser da rua te permite isso, fazer parte da história em movimento e hoje com algum conhecimento reles que seja, apontar, sugerir o que a TEVÊ jamais o fará, viver.

e são 12h e 34 minutos, preciso sair.
e por falar nisso por acaso passou por aí um senhor de 47 anos, pedreiro, pai de 6 filhos?
não andou por aí? vou ali e volto já, se souber de algo, se o viu, avisa?

enquanto isso, fica nos lançamentos é para acordar
e parabéns mamãe seu projeto de mulher feliz deu certo.

cheguei mais atrapalhada do que quando sai, às 08h e tralálá.

sendo feliz no projeto da mamãe, sem luxo e sem riqueza, banhada na experiência de cada dia. se dependesse do projeto da vizinhança na época tava  fodida. a conversa no portão era: essa menina não vale nada, tenho dó é dos pais, ela não para em casa enquanto eles só trabalham, só vive na rua, virada de sexta até segunda, anda com esses carinhas sem futuro, dou semanas e alguns meses para aparecer  embuchada. mais uma perdida, vai vendo. e falador passa mal, falador passa mal. passou. 

mais de 100 djs se dividiam para tocar em mais de 16 trios elétricos. os nomes mais cotados mark-mark escreve assim? patife e outros trocentos que não lembro o nome, outros tantos de países no auge. todo ano aumentava o número de participantes, gente que ia na frente, dos lados, atrás dançando enlouquecidamente. cena comum: gente bêbada, gente drogada, gente brisada sem usar nada, gente na adrenalina, gente afobada, gente doida, gente querendo conversar, gente saindo do armário, gente disposta a brigar, causar, gente querendo paz, se fosse agora tenho certeza que gritaria sem vandalismo e uma pluralidade sem fim.

e chutando no escuro arrisco dizer a gestão da época, marta suplicy. na quinta edição participou inclusive de trios e adivinha quem era o  governador? plin plin dou um doce, procure está pensando o quê, aqui não tem referência não meu bem, faça um favor mova os dedos e procura aí. não participei de duas edições apenas, das tantas que tiveram. recordações mil e uma, desde o apanhar na cara de marmanjo por ser mulher e pisar no pé dele, até ver um casal de lésbicas apanhar covardemente de um bando de moleques sem noção. drogas? só não tinha pouco, bêbados aos montes caídos na grama e óbvio a segurança estava por lá. na sexta edição com 150 mil participantes era mais de 300 e não sei quantos policiais. 

a cada ano aumentando o número e com ela a "violência". até o findar da gestão e fim da parada da paz. o engraçado acabou quando pobres passaram a aderir o evento. seguido da desculpa de que a música eletrônica não estava mais no auge e a violência tinha tomado conta, tornando-se incontrolável para a segurança pública conter furtos, assaltos, facadas e quase assassinatos.

mentira te dizem e você escolhe acreditar ou não. quem ia, sabe que tocava desde o eletrônico intensamente até rap, forró, tocava de tudo. afinal começava à tarde por volta das 14h:00 e terminava por volta das 23h e tralalá, isso quando o povo ainda não ficava por lá. 



para quem gosta, tem significado maior, principalmente quando é referência de vida. ela tem, a música tem todo significado na minha vida, independente do ritmo ser mais amado do que outro. como é o caso do rap. sendo bem específica, mais espectadora do que parte. aprendi ao ir para lugares estranhos para conhecer gente estranha. aprendi a valorizar e a curtir sem mãozinha de face, curtir a ponto de fechar os olhos e ó sumir no pensamento. participei desse tempo e não era porquê diziam que o rap estava em baixa, a aposta de que o rap é moda é antiga prá porra. as quermesses continuavam e o meu bairro também e tudo estava lá, sendo acessado no menor passo. todo fim de semana era nois, nos puleiros. palco pequeno, microfone, caixa de som de péssima qualidade é apelido, mal dava para compreender a letra, o que o cara rimava se a voz não fosse forte. os puleiros tinha vantagens por ser grátis e fácil acesso. a prevaricação, burlar apresentar documentos, válido o olhar na minha cara e não pedir rg, sendo menor escutar o: vai passa, você não paga, bate cartão aqui mesmo, mas se o juizado ou mãe aparecer já sabe hein, não te vi, não sei quem é.

daí, vem uns baitolas dizer a tendência, a moda para esse ritmo que pode desaparecer a qualquer momento. quanto mais vivo mais tenho certeza, tolo de quem segue esse caralho de TEVÊ. demoro mas o país na minha rala concepção adquiriu identidade, pelo menos no que diz respeito ao hip hop, rap. não existe aquela coisa de imitar americano ou seu estilo. não compreendo quando estipulam estilo para gostar de, para ouvir rap. a globo é tão tosca na tentativa furreca de se aproximar do pobre, do que é da periferia, que dita ou pelo menos tenta escarrar regra. o estilo está mais ligado a identidade das pessoas: é cabelo, é jeito de andar, é modo de dançar, de falar e não é uma regra. ou tenho que suprimir a lembrança, quando vi quatro caras dançando break no clube da cidade e outras casas. vestidos de terno e gravata, de sapato social, porque pouco tempo antes foram barrados noutro lugar: maloca aqui não! barrados na porta sendo obrigados  a ficar no relento porque deram viagem perdida, obrigados a esperar ônibus rodar para voltar para casa. barrados em vários locais por não vestirem o "estilo", ditado por quem, por zés da égua que na época eram modinhas e imitava estilo americano, onde um cara morria se tivesse andando com tênis de marca em x local e y casa noturna, vi de montão.

para cara de pobre não tem maquiagem meu bem, nem dinheiro que dê jeito então não se assuste se pela camiseta (de pano de chão) te impedirem de entrar nos locais. mas roupa não é nada e não diz quem é quem não é. uma semana depois, lá estavam na estica, para dançar break como quisessem, de gravata, social. não aconteceu uma duas três vezes foram muitas, porque pobre tem cara, tem cor, tem pele desidratada, tem cabelo quebradiço, tem até pó e barro na sola, não tem carro. dizer que a cultura se resume na roupa é o fim. não tem a ver com ter este tênis, aquele carro turbinado. me poupe pelo amor de deus de tanta bestagem globo. a regra do consumo é sua, não transfere para cá não caralho! quer apresentar, lançar, então o faça com quem está na ponta e não com quem nunca escutei falar, a não ser sendo namorado x de y, fulaninha que é atriz. o consumo que se foda!

e louça lavada, banho daqui a pouco. e chegou, virou gestão, mudou prefeito e governador, nasceu a virada cultural. numa dinâmica maior, com outra proposta, cultura para o povo. interessante não é. a união dos ritmos, rock, samba, pagode, eletrônica, reggae, maracatu, entalado o rap. tímido e sem grande visibilidade. conversando sobre a virada deste ano com várias pessoas todas foram certeiras em dizer que o evento é inspirado noutro evento que aconteci na frança. jura? tá engulo se quiser, mas não acredito tá certo? de olho em 150mil ou mais de jovens eleitores que não mais aderiam nada no centro, tínhamos que reverter a ideia da outra gestão não é. imprimindo desta vez, nossa marca burguesa e tratando de impedir que esta sacada genial acabasse, sendo devidamente registrada no calendário da cidade pelo partido y que não cito para que não pareça perseguição ou antecipação política.

com  marca burguesa a probabilidade de pobre aderir é menor. o que nos interessa é o número de participantes conscientes, sem vandalismo, gente educada. afinal a violência tinha se instalado na parada da paz justamente por conta de bebidas, drogas e pobres. a prova maior de que não trata-se de piração, na gestão dos tais, show de rap é vetado em próximas edições da virada. justificado a ausência de rap pela violência no show dos racionais, que diga-se eu estava. dá a entender que rap se resume em racionais e olha que respeito muito os cara. não é, existe uma lista vasta graças as deus de talentos pelo país a fora. e no garimpo escutei rapadura que no estilo de cantar, vestir, dita o que é a cultura hip hop em território nacional, de ponta a ponta, norte, nordeste, sul sudeste e demais regiões.

analisando a tendência, a moda, o que usa, quem diz que esse cabra curte rap meu deus? o rap é o crime entende. e na voz de um preto, favelado, nordestino, vira hino. arrisco dizer, é uma cultura inteira por nascer entre becos, vielas, escadão, ruas de terras, barracos, radio clandestina, gente feia e bonita. compreende porque no burguês não cabe, e se cabe vira estilo americano? principalmente quando nunca viu o fulano em periferia nenhuma, em lugar simples algum e de repente é do rap. oi. vira historinha.

 
 constando no calendário, agenda da cidade,  resta disputar quem organiza melhor. seria tão interessante se ocorresse essa disputa em vários setores, em várias políticas públicas. desconfio que algo consta errado no modo de executar as políticas, pois tudo é tão bonito, bem escrito, no papel. altera-se gestão e olha quem. e não estou elogiando pois a base deste partido está desestruturada a tempos, mas quando me volto para periferia é o único partido citado. é uma merda isso, mas é a verdade, quero mais motivos e maiores para metralhar o pt e encontro vários para metralhar outros partidos pela total ausência.

então será que justifica um global do rock dizer algo do rap, mais necessariamente de um integrante e sinto vontade de mandar tomar no cu sem prazer seu zé!  o fato é que o pt sempre deu mais espaço para o rap, mais do que outros partidos. o diálogo com a periferia é diferente. mas não é motivo para usar o bolsa família como cabo eleitoral. a questão chave sobre esse partido é o racha, abandono e perda da base, totalmente voltado para ações e cargos de poder esqueceu de quem o empoderou, impõe o embrolho de levar o povo na conversinha fiada, de mais diálogo, vou te receber, vou te enrolar. tá fica moscando e ser pobre não significa ser otário hein, que fique claro.

a virada cultural de 2013 teve como estrela o retorno do rap.
evidente pelo show do criolo que dizem não canta rap, porque propõe outros ritmos no disco e me recuso a comentar isso. acho palhaçada. e no aniversário da cidade cantou com emicida e igualmente lotou o espaço com pessoas interessadas em ouvir rap, na lista dos melhores shows da minha vida. de tão bom virou dvd e show num espaço massa demais. só comprova demorou séculos para reconhecerem, o rap tem seu lugar garantido no cenário da musica nacional, e está em processo (muito lento) de descriminalização.

e não se resume nos mais conhecidos atualmente, existe a vanguarda: consciência huamana que dizem está voltando com cd novo e tudo mais, facção central, o eduardo ex-integrante do facção palestrante da fundação casa e outros lugares sinistros, detentos da rap, dexter,  rapper pirata, os malês, os mais "jovens": marechal, quilombrasa e o golpe de curitiba que eu esqueci o nome e outros tantos que ouço com menor frequência, mas com total atenção.

além do retorno dos racionais que vamos combinar é referência, só quem é sabe e não tem jeito, e diga-se eu estava lá. sem poder acreditar na quantidade de pessoas, na multidão que os aguardava, sem acreditar na euforia de todos, no modo como cantavam, erguia as mãos e super extasiada não sabia se assistia ao show no palco ou na platéia. demais!

impressionada também com a quantidade de policias para aquele show. é como se aguardassem a qualquer momento tiros, brigas ou violência. criminalização, imagina é impressão. no dia seguinte, as notícias. a virada ficou marcada pela violência. divulgado mortos, esfaqueados, arrastões e toda confusão quando mais pobres ocuparam o espaço, a virada. apontado que noutras edições não teve confusão. e concordo. não teve confusão, não tinha tanta gente, não tinha rap e pobre, e principalmente tinha policiamento em toda área, coisa que não existiu nesta. quem foi viu o descaso, o abandono e o foda-se da segurança pública para o que estava acontecendo.

sugerido a partir daí o veto a bebidas a criação de tapumes e não sei quantos mil policiais. só faltou vetar o rap e pobres né. o interessante é que quando se trata de gerir segurança pública para evento global em espaço público tudo funciona, até demais. se cabe uma sugestão para próximas distribuir e garantir que eles compareçam aos locais já está de bom tamanho, pode até disponibilizar bases de policiamento e primeiro socorros  para glicoses na veia em principais trechos, palcos. por falar em segurança, por acaso você não viu um senhor de 47 anos, aparentemente magro e alto, pai de 6 filhos e negro? sei que é distante mais ele mora na rocinha viu por aí, viu não? poxa, então tá.

para próxima edição, divulgar mais poesia, incentivo a leitura nos palcos, teatros, não focá-los em regiões afastadas como sescs e outras áreas. teatro de rua é muito bom, sarau tem vários de qualidade sem tamanho. não querem estourar  o orçamento ou ser alvo de críticas que ninguém jamais o fez noutras viradas sugiro a quem já é conhecido apresentar alguém que esteja começando, apadrinhar mesmo e ser menos zoião e doar alguma coisa, pode ser ou é pedir demais? para maior adesão de pessoas de várias regiões que neste dia o transporte seja catraca livre, bora facilitar a vida. hoje comprovei as pessoas saem de casa de regiões afastadas com dinheiro contado.

enfim, mil possibilidades. dentre tantas, uma, mais mulheres cantando rap na virada por favor.tem várias: karol conka a lady do rap além de simpática e com voz bonita é super divertida, tem a flora neguim desse jeito cê me deixa loca, só precisa melhorar o clip no mais, yzalú riqueza total em voz e violão. não resta dúvida a cultura é mais que roupa e tendência, o rap é mais que ritmo, maior que moda e globo não tenta, não inventa, se contenta com a sessão besteirol de sempre, arrombada.
o rap saindo da criminalização quem ocupa o lugar? dou um doce se adivinhar, te falo noutro dia, com menos palavras porque eu tenho mais o fazer da vida, te garanto. como saber onde está amarildo? onde?