sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pânico do Ônibus

Nem sempre fui gorda, mas sempre me preocupei MUITO com meu peso. Todo mundo tem só duas certezas na vida, eu tenho três: a morte, os impostos e as dietas.
Sou do tipo gulosa, que não sossega até ver o final do pacote e é viciada em açucar e gordura trans. Sempre fui assim. Sou de uma família de magros naturebas, onde "bolacha recheada" é palavrão. Odeio ser a ovelha negra gorda da familia. 
Aí você vai na onda dessas novas campanhas de beleza real. "Você é linda assim". "Se aceite". Dizem para você não se privar de nada, ser feliz e não se importar, mas só fazem roupas até 44. Sua bunda não cabe no banco do ônibus, você não arruma namorado, esmaga quem vai do seu lado no avião, sofre na cadeira do cinema e vai mal nas entrevistas de emprego. Colocam uma gordinha na novela, ela é zoada. Nunca vi uma protagonista gorda. Uma mocinha gorda. O mundo não é para pessoas gordas.
Ao mesmo tempo a Americanas faz promoção de chocolate, você encontra um Mc Donalds a cada esquina,  Pão de açúcar coloca pizzas a 6 reais, descobre o melhor pão de queijo do mundo na frente da sua casa e a loja de doces perto do trabalho aceita seu VR... as pessoas te convidam para almoçar, jantar, beber e nunca para ir à academia ou correr no parque. O mundo tem cabeça de gordo.
Já tentei as mais malucas maluquices para emagrecer, muitas vezes com apoio médico.   Tentei terapia por muitos anos, mas o terapeuta não achava um prolema meu relacionamento com a comida. Do ponto de vista dele, anormal seria se eu não comesse, e esse era meu objetivo. Acabou não dando certo. 
Por mais que falem que não, eu ainda acho que minha vida seria diferente se eu fosse magra. Eu teria mais confiança. 
Conheço gordas confiantes, mas comigo não funciona. 
Quero conseguir olhar no espelho e gostar do que vejo. Quero poder comprar uma roupa numa loja bacana e só me preocupar com o preço dela. Quero ter o direito de entrar no ônibus e não causar pânico. Para isso, segunda começarei uma nova dieta.
Porque a vida segue. De dieta, mas segue.


Difícil ser confiante desse jeito