domingo, 13 de outubro de 2013

O nosso futuro do pretérito

Teria sido lindo.

Eu teria lhe dito o nome do meu cachorro, mas nem tempo tive de lhe contar que não tenho um.
Teria lhe falado sobre meus pratos preferidos, sobre minhas aulas de francês, do meu interesse em cinema norueguês, do meu hobby de colecionar citações de livros, da minha fascinação pela Frida Kahlo; da minha predileção por amarelo.

Teria sido lindo.

Você teria me contado sobre sua resistência em cortar os cabelos, dos desentendimentos com seu pai, da paixão pelos esportes de velocidade, da mania de nadar no mar todos os dias antes do trabalho, do hábito de tatuar o próprio braço com caneta preta e da sua fissura por sambas tristes.

Teria sido lindo.

Seria se toda nossa paixão não tivesse durado os segundos dos 3 piscares de olhos que foram possíveis no momento em que minha bicicleta cruzou o seu caminho.
Teria sido lindo se você não tivesse virado aquela rua em alta velocidade...desenhada de carros e árvores e a linha do horizonte não tivesse tragado sua imagem para o limbo da minha coleção de amores platônicos instantâneos.

Seria uma grande paixão; uma grande história de amor.

Teria sido realmente lindo.