terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Procura-se o brilho nos olhos

Ele havia procurado por toda parte. Debaixo da cama. Dentro da geladeira. Não estava lá. Em cima do aparelho de som. Dentro da caixa de sapato. Não estava lá. Na caixa de correspondências. Atrás da mesa do computador. Na areia dos gatos. Não estava lá. Chegou a olhar se havia caído na privada. Tirou todas as roupas do armário. Abriu e fechou todas as gavetas. Não estava em parte alguma.

Havia perdido o brilho nos olhos e já não via sentido na vida. Olhava os noticiários, tentava ler um livro, mas nada comunicava. O céu permanecia azul, mas ele não entendia por que os pássaros voavam. As pessoas subiam e desciam dos ônibus, ele ficava debruçado na janela do 8 andar, via tudo e só se perguntava “para quê?” .

Ele procurava nas meia e nos sapatos. Ele procurava no elevador. Ele procurava na mesa do bar. Não estava .

Havia decidido fazer uma denúncia. Colocar cartazes nos postes. Anunciar em todas as estações de rádio: “procura-se o brilho do olhar”. Desistiu, afinal, quem entenderia?

Passou a vida assim a procurar. A lembrança era o que o conduzia. A busca era uma obsessão e o seu único objetivo.

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É isso aí! Primeira postagem do ano. Quero desejar a tod@s um 2014 pra lá de maravilhoso (ia dizer "bom", mas "bom" parece tão pouquinho).