sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Acabou.

Não sabia como parar.
Só sabia que estava cansado daquilo tudo.
Da atenção que dava, e da atenção que não recebia.

Em algum momento da história, as pessoas começaram a achar que o "procurar" um pelo outro não era mais importante.

Mas pra ele, mais triste era saber que não procuravam por ele!
Mas procuravam uns pelos outros.
E ele sabia que era assim.

Gritou de todas as maneiras.
Esperou que as pessoas que ele amava percebessem.
Mas muitas vezes essas foram as primeiras a acharem que era tudo "frescura". Coisa de gente que não tinha o quê fazer.

Aquela que ele imaginava que o entenderia, não o procurava mais.
Perdeu-se o contato.
Acabou-se a cumplicidade.
As conversas eram diferentes.

Tornaram-se ríspidas.
Com desdém.
Parecia já não mais importar.

Pra ele, cada detalhe era importante.
Pros outros também!
Nos inícios...

Depois...

Bem... Depois, só a frieza. Só o "não se importar".
Só a indiferença e a conveniência.

Resolveu então escrever uma carta.
Colocou o coração nela!

No fundo, havia a esperança de que pelo menos ela lêsse!

Escreveu, mas caiu em si.
Ela não iria ler.
Eles não iriam ler.

Afinal, por quê razão se preocupariam?

"Ah... Ele mudou. Ficou mais calado. Não é como era antes. Mas deve estar bem!"

Deve.

E daí? Certeza pra quê?
Um dia ele volta.
E se não voltar, que diferença faz?

O mundo tem quase oito bilhões de pessoas.
Tudo na vida é cíclico.
"A catraca anda", dizem.
E é verdade.

Ele, mais do quê ninguém, sabia que isso era a mais pura verdade.

Àquela altura, lembrou-se dos olhares de admiração que um dia pousaram sobre ele.

Hoje, aqueles mesmos olhos o enxergavam como mais um na multidão.
Sem nada a acrescentar.
Apenas para encher.

Não iria continuar.

Um dia, com certeza, iriam sentir falta dele.
Queria porque queria acreditar nisso.
No fundo, pensava:
"Que nada. Hoje sou um zero à esquerda. Não valho pra mais nada."

Preferiu enfrentar a realidade, e cercado, continuar sozinho.
Sozinho em meio à multidão, que falava como ele falava. Que se comunicava como ele se comunicava.

Sim. Era tudo simples demais.
Narcisista, até.
Mas quem se importava?
Naquela atmosfera, ninguém ligava pra ninguém.
Nessa, a dinâmica é a mesma!
Mas... Quem se importa?
Com certeza, não os que ele amava.

Não os que ele amou.