sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quem faz a cidade?

No contexto atual há uma disputa básica entre aqueles que querem do espaço urbano melhores condições de vida e aqueles que visam apenas extrair ganhos das negociações. É neste cenário em que a relação entre poder público e capital privado se torna mais evidente, e quando a transparência e a mobilização social se fazem mais necessárias.

Imersos nesta realidade, interiorizamos relações sociais que passamos a crer como verdade imutável, à qual temos que nos submeter. Acreditamos que política é isso mesmo. Que as coisas são assim. Nunca vai mudar. Entretanto, a partir do momento em que questionamos esta situação, que até então é tida como inabalável, criamos uma outra visão da política urbana: podemos não saber qual cidade queremos, mas sabemos qual não nos interessa.

O direito à cidade não é (ou não deveria ser) um direito condicional ou individual: ele é o direito à vida urbana, e isto inclui acesso à moradia digna, educação, saúde, cultura e lazer. Todos têm direito à cidade, inclusive às suas áreas nobres.

E, muito mais do que o direito de acesso, o direito à cidade também o engloba o direito de refazer a cidade.

“O direito à cidade não pode ser concebido simplesmente como um direito individual. Ele demanda um esforço coletivo e a formação de direitos políticos coletivos ao redor de solidariedades sociais”(HARVEY, David. A liberdade da cidade)