sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Recebi um poema


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Recebi um poema!

Estava andando na rua perto de casa quando o recebi. 
Um rapaz magro, de óculos e calças engraçadas foi quem me deu. Nunca o vi na vida, ele não me conhecia.
Não perguntou meu nome, também não perguntei o dele.
Me deu uma folhinha rosa, enrolada e presa por uma fita. Coisa mimosa. Gesto simpático.
Dei um sorriso, agradeci, e fui atravessando a rua enquanto analisava a fita, já pensando se o nó era fácil ou difícil de desatar. 
Consegui soltar o nó antes de entrar no prédio. Consegui ler o poema no elevador.
Li novamente ao chegar em casa. Fiquei pensativa. 
Achei bonito. Falava sobre a beleza de envelhecer.
Gostei do poema, mas gostei mais ainda de ter recebido o poema, pois recebi um poema, e isso não acontece todo dia.
Recebi um poema de um estranho na rua e isso nunca me aconteceu antes - e nem sei se voltará a acontecer.
Era sobre o envelhecimento, mas poderia ser sobre a juventude. Ou sobre amor, ou sobre dor, ou sobre qualquer outra coisa. 
Mas era sobre a vida, sobre generosidade.
Uma delicadeza que a tão caótica e problemática cidade de São Paulo trouxe para mim. Um presente para tornar minha vida mais agradável.

Segue o poema: