quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Rascunho de uma história infantil e/ou Desejos de Teresa

Meu desejo é que este texto seja ilustrado.  
Ao ler, por favor, tenha a imaginação de uma menina de seis anos.  

Teresa fechou bem os olhos e pensou o que desejaria. 
Não era seu aniversário e ninguém tinha lhe concedido um desejo. Apenas se pegou pensando no que mais queria no mundo.
E se apegou a pensar do jeito mais livre, não ter motivo nenhum para pensar. 
Ficou confusa sobre o assunto.  
Primeiro pensou em ser fogo. Em como seria bonito ser cor de laranja-vermelho e quanto seria divertido derreter coisas envolvidas em labaredas de muitos graus. Mas teve medo de queimar pessoas, plantas e animais. Então, desistiu de ser fogo.
Pensou que poderia ser vento e conhecer o mundo em viagens maravilhosas que faria com fantástica rapidez e também em como ajudaria as flores e os frutos a espalharem seu pólen. Mas teve medo de ser lenta e virar ar em alguma cidade distante e poluída. Então, desistiu de ser vento. 
Teresa resolveu abrir os olhos e tentar ver se à sua volta  estava o que mais desejaria.
Começou olhando as vitrines de brinquedos, pensou no gosto de comidas magníficas expostas nas prateleiras da padaria.
Foi quando seu olhar se encontrou com outro. E uma curiosidade imensa de saber o que aquela pessoa pensava a tomou, vasculhar a mente, descobrir segredos, entender sentimentos. Mas teve medo de que assim os outros seriam como ela e acabaria toda graça de conhecer pessoas novas. 
A música veio do toque do celular de uma moça e foi em Teresa que ela vibrou, a moça atendeu rápido, ligação de amor, mas Teresa entendeu o que mais desejava.
Correu e procurou outra música de celulares, de passarinhos, de buzinas, de vitrolas. O que ela mais desejava era dançar como o fogo, ou as folhas ao vento, com pessoas olho no olho. Sem medo.