domingo, 3 de abril de 2016

Jogando o corpo no mundo

            A estrada vicia. Ela tem o surpreendente sabor do inusitado. As cores, os aromas, as texturas, os temperos, a temperatura, os animais, as pessoas e todos os detalhes que marcam cada lugar que passo. Percebo as pessoas me olhando enquanto ando despojadamente pelas ruas, com o chinelo que carrega marcas de tantos outros lugares. Sigo em passos soltos, sem pressa, sem roteiro.
Ninguém sabe se estou indo ou voltando, nem onde finco minhas raízes. Tudo bem, às vezes, nem eu tenho essas respostas. Não traço rotas. Esqueço de olhar as horas. Não sei ao certo qual meu ponto no trajeto. Não importa de onde eu vim e para onde vou. É me perdendo pelas ruas que eu me encontro comigo mesma.
É tanta vida acontecendo simultaneamente! O que fica é a troca que surge no meio do caminho. São as pegadas que deixo na areia, que logo serão apagadas para sempre. É essa mesma areia que irei carregar no meu caderno, em que eternizei tudo o que aqui senti. Não é a distância percorrida, mas as histórias vividas que ficarão para sempre. É na poesia que surge em cada esquina, na mistura de pessoas e músicas distintas, na cerveja barata de cada boemia, vendo a noite virar dia, que eu sei que estou exatamente aonde deveria estar: jogando o meu corpo no mundo, criando poesia.


E que tudo sempre vire poesia...