segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Papai, sonhei que eu estava de muletas"


Estranhamente risonha e agitada ao acordar bem cedo naquele dia, a filha deixou de lado sua costumeira manha e sonolência de quase todas as manhãs pra bater um papo gostoso com o pai, daqueles papos de dar até vontade de atrasar os compromissos do dia só pra continuar a conversa. Mas o que mais chamou a atenção do pai foi a empolgação dela por algo inusitado, contar pro pai o sonho que ela teve, com um sorriso no rosto e com a seguinte chamada: "Papai, sonhei que eu estava de muletas!" O pai de pronto indagou "mas filha, por que felicidade em contar que você estava de muletas?" e ela respondeu "Porque foi só um sonho, pai. Não foi verdade".
Horas após aquela inusitada conversa em meio a uma manhã corrida, porém muito agradável, o pai recebe uma ligação da escola e o primeiro pensamento antes da "tia" começar a falar, foi: "que não tenha acontecido algo e que ela não precise de muletas!", e de fato não aconteceu nada grave, era "só" uma febre.
Pouco depois, ao buscar a filha na escola, ela apareceu no portão, cabisbaixa e meio triste, sem aquela disposição e empolgação que mostrara durante a manhã, mas o pai disse a ela "a febre é igual ao sonho ruim, aconteceu e vai passar" e mesmo logo no começo deste novo sonho ruim, porém real, ela segurou a ternura, se apoiou na coragem e sorriu de novo, encarando os sonhos bons e ruins que viriam a diante.