quarta-feira, 29 de junho de 2016

brado retumbante ou légitime défense

Antes de tudo:

FORA TEMER!
PRISÃO PARA EDUARDO CUNHA!
FORA GOLPISTAS!

Preciso sair ir ali à biblioteca.
Mas volto, enquanto isso escuta o cara:




A letra e vídeo evidenciam as Jornadas de Junho de 2013, quando milhares foram às ruas protestar pelos famigerados 0,20 centavos da passagem, que de fato e na verdade sintetizavam a insatisfação da população com o estado mínimo e sociedade capitalista.

Passou anos e ainda é difícil entender ou explicar as Jornadas de Junho. Leio artigos e matérias a respeito e quase sempre me pego pensando em 2013 sem entender ao certo como foi que aquilo pôde acontecer.

Mesmo que eu concorde com algumas considerações que leio porque se aproximam um pouco do que imagino como hipóteses, só discordo veementemente e com repúdio quando dizem que se tratou de uma preparação para golpe de 2016. Não acredito! 

E se quer saber creio que após o golpe de 2016 as chances de termos outras jornadas para os próximos anos ou meses são enormes, entretanto com várias diferenças no perfil dos manifestantes.

O golpe parlamentar, midiático e judicial em 2016 foi motivo de muitos protestos pelo país, mas as consequências e desdobramentos provavelmente serão uma expressiva motivação para protestos maiores nos próximos meses em algumas regiões do país. 

As conseqüências já podem ser sentidas em todo âmbito institucional e embora a mídia faça de tudo para apoiar o golpe, os protestos ocorrerão mais precisamente em São Paulo pela atuação política de alguns setores de trabalhadores combativos como SUAS, SUS; além da luta autônoma dos estudantes secundaristas pela Educação, e principalmente no Rio de Janeiro após realização das Olimpíadas.

O Rio de Janeiro tem sido ou está se tornando uma caixa de pandora, cheia de chagas e demônios que irão protestar de forma violenta se as atitudes da Segurança Pública continuar ainda mais autoritárias.

Assim que realizada as Olimpíadas ou arrisco dizer até durante o evento pode ocorrer tantos protestos como em 2013.

A forma escolhida pelos golpistas: prefeito (PMDB), governador (PMDB) e presidente interino golpista (PMDB) de conduzir o evento só demonstram que o estado mínimo, as ações para legitimar o capital e sociedade capitalista pretendem anunciar a morte.

Neste anúncio está previsto que os pobres dos morros/favelas cariocas não poderão descer no período das Olimpíadas, terão que aceitar ficar enclausurados enquanto a festa para os brancos ocorra em paz.

Neste ínterim é preciso pensar as ações do estado e nesta forma autoritária e violenta  se ocorre apenas no Brasil ou se esta arrogância e autoritarismo perduram noutros países. E se perdura é portanto um problema de gestão, mas liberal?! Por que nunca conheci ou escutei falar que exista nesta atual democracia um presidente de esquerda (ou direita) que não atendesse os princípios liberais do capital. 

Quando leio sobre o Chile vejo a repressão com estudantes, se leio algo sobre o México vejo com trabalhadores e estudantes que querem educação pública de qualidade.

Ou quando leio sobre Argentina também vejo nas manifestações ainda mais autoritarismo, se na Venezuela através de tentativas de impor ideais liberais mesmo com a recusa da população ao manter por meio de votos o mesmo presidente. Em todo instante nota-se o autoritarismo e medidas que forçam aceitação de uma “democracia liberal” com o governante/presidente que o setor financeiro e outros países precisamente aqueles que aglomeram desenvolvimento e poder (EUA, etc.) escolheram.

E vemos mais adiante que não é um problema exclusivo da América Latina então se leio sobre a Grécia os protestos há meses indicam que não se trata apenas de casos isolados.

E se acompanho os intensos protestos e greves pacíficas e violentas que ocorrem há meses na França observo que jamais poderia se tratar de caso isolado.

A única diferença atualmente é que temos a internet para nos aproximar, mas os anúncios e formas de violência, repressão e autoritarismo contra estudantes e trabalhadores continuam as mesmas.

O anúncio de ofensivas contra os estudantes que desejam educação pública de qualidade bem como dos trabalhadores que queiram manter ou aumentar seus direitos trabalhistas e o mínimo de direito social anunciam que deve ser cada vez mais graves e violentos.

A resposta dos estudantes, em especial dos secundaristas brasileiros tem sido uma das melhores. E tenho orgulho deles e vejo como fui negligente em quase não ter comentado o assunto da forma como deveria. O golpe consumiu, mas não corroeu a atenção. Há de ter espaço e considerações sobre e logo mais.

Daí que é bom perceber a preparação de novas jornadas, quando estudantes a cada dia se utilizam mais da palavra “uni-vos” nas suas diferenças e nas constantes: violências, opressões, repressões e autoritarismo.

Já os trabalhadores...
Pois é, já os trabalhadores...

É verdade que os trabalhadores do Brasil ainda dormem, porque não acreditam ou não compreendem o que está por vir.

Os trabalhadores do Brasil não creem no fim da CLT ou numa provável cobrança de consultas no SUS que serão propostas e uma realidade em questão de meses. Prova disso é que um ministro tocou no assunto e para desespero foi aplaudido pelos presentes.

E ainda que o presidente interino e golpista anuncie que haverá aumento de Bolsa Família, os trabalhadores não sabem que os direitos sociais correm risco de esvaírem dos seus bolsos para os cofres de corruptos de quem não venceu eleição através do voto popular, mas do voto daqueles que favorecem poucos.

E logo sinto desânimo de saber que dormem tanto quando deveriam estar mais acordados do que nunca e ajudar os poucos que se mobilizam contra os ataques aos direitos sociais conquistados a duras penas.

Também é questão de segundos para reanimar, principalmente quando me lembro dos muitos trabalhadores que se movimentam na África, Grécia etc, com ações isoladas é verdade, mas se movem e sentem as correntes.

E como não sentir frio na barriga com as ações dos trabalhadores franceses quando anunciam através de protestos violentos e pacíficos e com várias greves há meses que está na hora de proclamar a autodefesa ou "légitime défense" pelo bem de todos, quiçá da humanidade.


E justamente quando observo a França é que tenho mais convicção e certeza absoluta do que foi as Jornadas de Junho. E esta certeza me dá uma ernorme esperança nas próximas jornadas que irão anunciar a mensagem de morte ("Menace de mort") para a forma equivocada de organizar a sociedade. Tenho esperanças. Em toda língua muita espérance, porque ela vive e jamais desfalece.