sábado, 3 de setembro de 2016

Um a cada três

Um a cada três pensamentos é sobre reminiscências. Um a cada três é sobre o hipotético. Um a cada três é somente para onde a melodia me levar. E ela insiste em me levar para longe, beirando os limites lineares dos pensamentos onde, um a cada três, são arrebatadoramente plenos. Longe o suficiente onde um, a cada três, dança ~~ guiando subversivamente as palavras que precisam ser dedilhadas. Longe aonde o tempo vai passando, e o ritmo cede em conformidade com as fagulhas dos insights, de um a cada três. Tão longe... onde um a cada três se funde em um enredo em tons de sépia de uma tarde de outono. Em um fim de tarde de outono. Em um fim de outono na praia. [Seria esse um deja vú  distorcido?] Lá longe em uma brisa suave bagunçando o meu cabelo, em um “moça, sobre o que você tanto escreve?”, em um fragmento do que poderia ter sido, mas, não, não é possível me adequar ao que não traz impulsos de vida, ao que não me instiga a esticar os dedos para ver se tamanha plenitude pode ser palpável, inundando minha alma de novas sensações. Seria como tentar dançar uma melodia que não toca na alma! Permeando brechas eu descobri uma intensidade fascinante dentro da serenidade de pura e simplesmente estar aqui, e nada além. Estou de braços abertos para um a cada três desejos de liberdade. Que me tome de jeito e arrebate todos os meus teoremas impalpáveis sobre o que vem a ser concreto. Que agregue aos meus devaneios e me proporcione novas poesias. Que alimente essa minha sede de viver. Que sinta a frequência da melodia tocando na alma. Que me leve para longe, longe o suficiente, aonde eu esqueça de um a cada três.