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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sobre liberdade, maquiagem e preocupações

Lembro-me bem que já falei aqui sobre Liberdade (no texto do ridículo – link). Mas recentemente minha mamãe (beijo, mãe!) me mandou por skype uma frase que, mais uma vez, me fez refletir – eita reflexão que rende texto!

A frase era tal:

Liberdade: Dormir com o cabelo molhado; vestir a primeira roupa que encontrar; dormir sem despertador; andar mal vestida; não usar maquiagem; sair sem saber pra onde vai; gastar o último resto de salário em comida que te deu vontade; dar-se o direito de ir ás compras; tirar o sapato depois de um dia cansativo; dormir com maquiagem. Livrar-se de tudo aquilo que é pequeno, mas que amarra os nossos dias.

Sou excessivamente vaidosa. Vaidosa demais. Sempre fui. Talvez tenha começado com minha mãe que combinava meu lacinho de cabelo com o vestido, com o sapato, com a calcinha (é...), e eu achei que tinha que dar continuidade forever a isso. Enfim, acho que está todo mundo reparando em mim a todo o momento.

Aí, com essa frase, descobri como eu me preocupo! E como isso me limita, me prende a rituais tão difíceis criados, obvio, por moi! Seria tão mais fácil jogar pra lá o meu blush, a minha base mineral, meu primer redutor de poros dilatados e, claro, minha máscara para cílios. Jogar também pra bem longe o secador de cabelo, as mil e oitocentas roupas que transbordam do armário, e os sapatos idem. Pra que, né, eu ficar lotando minha vida de pequenas preocupações que só me deixam... é... preocupada!

Não me considero fútil, mas, ó, gosto muito de me sentir bonita no espelho. Coisa, assim, de valorizar a auto-estima. Mas acontece que percebi que essas pequenas coisas me deixavam desassossegada. “Não saio de casa sem corretivo”, ou “Minha pele fica uó depois da natação” ou então “Meus cílios desaparecem sem um bom rímel”.

Eu criei tudo isso. Aposto e ganho que ninguém fica reparando se eu usei rímel ou não em um dia tal, ou se troquei o blush pêssego pelo rosinha. Sério, é coisa boba demais. E eu sei disso. Difícil é realmente fazer uma trouxinha dessas coisas e distribuir por aí como se eu não precisasse de nada. Eu preciso. Mas preciso porque quero precisar.

Como tudo para mim é aos poucos (eu comi goiaba esses dias! – e continuo não gostando), vou mudando isso. Tentando, porque é difícil ter a auto-estima no dedão do pé e mesmo assim olhar pro espelho e pensar, ‘ok, até que to bonitinha sem lápis de olho’.

Mas é uma coisa a se refletir. E ir deixando (adoro quando posso usar gerúndio sem ficar bobo) aos poucos essas pequenas preocupações que incomodam e a gente nem percebe.

Deixe de lado seu celular por um tempo. Esqueça que você precisa de protetor solar. Não olhe para sua agenda a todo o momento. Não dê F5 do twitter. Deixe para lá o pente depois de acordar. Vá de chinelo no supermercado. Não tire poeira na estante por um mês (limitei o tempo pois tenho rinite e posso morrer com poeira). Não passe mais roupa. Não meça seus atos e palavras se preocupando com o que os outros vão pensar de você. Pode, eu deixo, vai, durma sem tirar a maquiagem.













Mais leve.


twitter: @tabataaa

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.

Trabalho nisso a um tempão. Desde que essa frase saiu para mim naquela (por vezes bizarra) Sorte do Dia do Orkut. É sério! Não vejo isso sempre, mas, ó, esse dia me rendeu um novo olhar sobre tudo que se passa aqui.

Sou tímida. Sou mesmo. Tímida por natureza, não me relaciono bem a priori, mas vou melhorando ao longo do tempo (que por vezes não passa de 5 minutos). Tenho medo das pessoas que julgo serem mais “importantes” (oi?) e das que exercem algum tipo de poder sobre mim. Não consigo ser natural. Travo completamente.

Independente disso, em situações alheias a essas, nunca liguei pro bom senso do cidadão-do-bem. Nunquinha.

Já saí de pantufa na rua, andei descalça no colégio, fui de maria-chiquinha no campeonato de vôlei, saí à noite de pijama. Já dei risada alta no shopping, inventei apelido pros outros, espirrei muito alto (bem, isso sempre), ando cantando na rua e pronto. É logo que vem a pergunta “como você tem coragem?”. Coragem? Coragem do que? De não me privar das coisas que tenho vontade? E juro para você, nunca fiz isso para aparecer não (tá, talvez lá com meus 12 anos isso fosse - bastante – possível!). Mas eu não entendo o porquê dessa censura toda. Vergonha da aceitação dos outros, vergonha do que vão pensar. Nunca perdi amizade por isso, bem bem beeem pelo contrário, amigos.

Engraçado que esse veto autoral converge diversas outras situações. Umas das que tenho ojeriza é a tal da pedância. Não consigo fingir gostar de uma coisa para parecer legal. Troco facilmente um “bom” Jazz por um Backstreet Boys. E não tenho vergonha alguma de assumir isso! Troco, assim, tranquilamente, uma Piauí por uma, sei lá, Capricho?! Se for para me divertir, se é minha vontade, isso para mim basta. Não finjo ser legal. E isso não me afasta da galera cool.

Eu sei para que servem as máscaras, mas tento me libertar delas a cada dia que passa. Claro que não é assim a coisa mais fácil do mundo. Claro que eu não falo pra todo mundo que tem dia que eu “esqueço” do banho. A sociedade (que também “esquece” da chuveirada) esquece também que cada um tem seu nariz para cuidar e tirar catota quando quiser. E você, bonitão, pare de rir daquele cara todo esquisitão que anda na rua do seu bairro cantando alto enquanto estala os dedos. Ele está mais feliz que você. Ele está fazendo o que quer. E sem pudor.














Ilustradora: Ana Oliveira


twitter: @tabataaa