sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.

Trabalho nisso a um tempão. Desde que essa frase saiu para mim naquela (por vezes bizarra) Sorte do Dia do Orkut. É sério! Não vejo isso sempre, mas, ó, esse dia me rendeu um novo olhar sobre tudo que se passa aqui.

Sou tímida. Sou mesmo. Tímida por natureza, não me relaciono bem a priori, mas vou melhorando ao longo do tempo (que por vezes não passa de 5 minutos). Tenho medo das pessoas que julgo serem mais “importantes” (oi?) e das que exercem algum tipo de poder sobre mim. Não consigo ser natural. Travo completamente.

Independente disso, em situações alheias a essas, nunca liguei pro bom senso do cidadão-do-bem. Nunquinha.

Já saí de pantufa na rua, andei descalça no colégio, fui de maria-chiquinha no campeonato de vôlei, saí à noite de pijama. Já dei risada alta no shopping, inventei apelido pros outros, espirrei muito alto (bem, isso sempre), ando cantando na rua e pronto. É logo que vem a pergunta “como você tem coragem?”. Coragem? Coragem do que? De não me privar das coisas que tenho vontade? E juro para você, nunca fiz isso para aparecer não (tá, talvez lá com meus 12 anos isso fosse - bastante – possível!). Mas eu não entendo o porquê dessa censura toda. Vergonha da aceitação dos outros, vergonha do que vão pensar. Nunca perdi amizade por isso, bem bem beeem pelo contrário, amigos.

Engraçado que esse veto autoral converge diversas outras situações. Umas das que tenho ojeriza é a tal da pedância. Não consigo fingir gostar de uma coisa para parecer legal. Troco facilmente um “bom” Jazz por um Backstreet Boys. E não tenho vergonha alguma de assumir isso! Troco, assim, tranquilamente, uma Piauí por uma, sei lá, Capricho?! Se for para me divertir, se é minha vontade, isso para mim basta. Não finjo ser legal. E isso não me afasta da galera cool.

Eu sei para que servem as máscaras, mas tento me libertar delas a cada dia que passa. Claro que não é assim a coisa mais fácil do mundo. Claro que eu não falo pra todo mundo que tem dia que eu “esqueço” do banho. A sociedade (que também “esquece” da chuveirada) esquece também que cada um tem seu nariz para cuidar e tirar catota quando quiser. E você, bonitão, pare de rir daquele cara todo esquisitão que anda na rua do seu bairro cantando alto enquanto estala os dedos. Ele está mais feliz que você. Ele está fazendo o que quer. E sem pudor.














Ilustradora: Ana Oliveira


twitter: @tabataaa