domingo, 9 de maio de 2010

Bem-vindo, inferno astral

O meu começa amanhã.

Eu, que ignoro o horóscopo do meu signo, caso ele não me agrade, e escolho o parágrafo mais interessante da página astrológica.

Eu, que não tenho um par de meias da sorte para levar ao estádio, não exijo que se descruze as pernas durante o jogo nem me culpo quando meu time perde.

Eu, que não cheguei à conclusão de que sou crente, agnóstica ou ateia simplesmente porque considero que o debate sobre a existência de Deus, de “alguma coisa” ou de nada é uma grande perda de tempo, tão fortes são as evidências de um grande e infinito nada.

Eu! Que insisto em passar debaixo das escadas e faço questão de pegar o saleiro diretamente da mão de quem me passou o bendito.

Eu acredito em inferno astral. Sou devota de Vênus, faço mandinga para Júpiter, rezo todas as noites para agradecer Marte e acendo uma vela para Saturno no parapeito da janela.

Não pense que sempre fui assim, uma believer. Eu já fui cética como você, um dia. Andava por caminhos escuros, rindo das forças superiores, blefando como se não tivesse nada a perder.

Até que chamaram meu blefe e acabei perdendo o sono, um punhado de amigos, as economias e a auto-estima que eu nunca valorizei como deveria. Com humildade.

Os astros não perdoam. Paguei por todos os meus pecados de descrença prepotente. E por todos os meus pecados de confiança ingênua também. Paguei pelos pecados dos outros, ajoelhei no milho em vários idiomas e carreguei a cruz alheia até o limite das minhas forças.

Mas essa história é antiga, e foi contada num texto muito melhor que esse. As feridas abertas inspiram mais do que as cicatrizadas.

Hoje escrevo pior, mas durmo melhor. Aprendi que não se pode ter tudo. Plutão que o diga...

PS: Não revelarei meus planos para os próximos 30 dias. Só garanto que enviarei "energias positivas" suficientes para agradar a todo o Sistema Solar.