sábado, 13 de agosto de 2011

Enfermo

Hoje fez um dia lindo no Rio de Janeiro. Um sábado de sol reluzente e céu bem azul. Me disseram pois não vi. Passei a tarde toda num hospital.

Fui apenas refazer um exame de sangue que tinha feito na quarta-feira para confirmar os efeitos da picada daquele mosquitinho sacana que voa por aí fantasiado de branco e preto.

Entre a minha chegada e todas as outras etapas passaram se quatro horas e meia.

A maior parte do tempo passei sentado, lendo Um estranho no ninho e escutando um tipo de bingo de nomes narrados por um computador com sotaque lusitano.

As cenas foram todas tristes; Várias senhoras precisando de atendimento, pessoas que foram assaltadas e agredidas, gente com dor e várias outras querendo atenção para suas enfermidades.

Durante a espera, o seu nome é chamado várias vezes numa tela com a indicação de onde você precisa ir. Você fala com várias pessoas e nenhuma delas toca em você, inclusive o médico que escuta os seus sintomas olhando para a tela do computador e digitando tudo sem parar.

Em horas como essa você fica frágil com a situação e triste com de tudo o que vê. Sem o peso dos 28 anos eu penso alto:

- Eu só queria minha mãe.

Mas nessas horas também você se sente humano ao extremo, se coloca no patamar de todas as outras pessoas independente de qualquer coisa. A dor e a doença nivelam.

Ao sair do hospital ainda escuto uma das atendentes dizer que é uma afronta trazer Copa do mundo e Olimpíadas para o Brasil na situação que a saúde se encontra. Eu concordo e saio.

Nessa hora o sol do dia bonito no Rio se foi, mas lá de dentro, entre sangue, tubos e agulhas, eu imaginei a praia, o mar, as ondas e pensei que tudo poderia ser pior.

Ao voltar para meu livro leio “a imaginação é capaz de atravessar qualquer prisão”.

Tchau sábado 13.

Bem-vindo Agosto.