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Essa distorção do que é a violência
contra a mulher, somado a outros fatores como a culpabilização da vítima, falta de espaço para discussões sérias a
respeito do tema (e o sistemático silenciamento, perseguição e ridicularização de
quem dá a cara a tapa) formam o ambiente propício para o surgimento de
indivíduos que praticam atos abusivos sem considerar suas consequências, uma
vez que a vítima, para eles, é um objeto.
É o ódio que leva uma multidão a ficar
histérica quando vê alguém de vermelho passar na rua, ameaçando e atacando; é o
que leva fanáticos a matarem homossexuais; é o que leva uma multidão, com um falso
boato, a linchar uma mulher inocente; é o que nos faz achar que a violência é uma medida corretiva coerente; é o que permite que Bolsonaros e
Felicianos se multipliquem.
A manipulação do medo alimenta a onda conservadora. O temor e o ódio geram propostas que nem sempre são
condizentes com a realidade, que não alterarão em nada o status quo, apenas
aliviarão a sensação de risco e servirão a um ódio irracional. Já é possível visualizar medidas extremas sendo propostas, como porte de armas, pena de morte, castração química... porque nem sempre é fácil olhar além e perceber que o problema não reside apenas no assassino, no estuprador – está nos superiores de mãos limpas que alimentam um sistema que permite que pessoas banais reproduzam atos brutais.







