sábado, 12 de setembro de 2009

¼. Cinco.

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A situação carecia de exatidão.

Saindo do elevador, a porta fica à esquerda. Apartamento número 12. Havia números romanos indicando que era ali. Não havia tapete na entrada, porta cor de madeira. À direita, entra para a cozinha; em frente, fica a sala e uma mesa. Um sofá, uma mesa de centro e um armário que sustenta a televisão, um aparelho de DVD e um porta-retrato. Ali, algumas pessoas impressas em papel fotográfico com tamanho maior em sua vertical. Um vidro, uma sacada. Para a direita, fora da sacada, dois quartos e um banheiro todo branco. As paredes da sala eram brancas, dos quartos também. Um quadro grego ilustrava a sala de estar. Um dia, alguém, acho que uma amiga de Aline, disse com olhos fincados no centro dele. Copo em riste, pensa para o lado esquerdo. Eram, mais ou menos, 2h15:

- Caralho, vocês têm Magritte. Na sala.
- O quadro?
- É.
- O que tem o quadro?
- É René Magritte.
- É?
- É.

- É.

- René é legal, né?
- É.

Já não prestava mais atenção em nada.

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Winnie...

Na verdade, não sei se ainda deveria te chamar de Winnie. Há algum tempo costumava ser especial...

Eu poderia escrever um livro apenas com aquele instante em que te vi pela primeira vez. Seria um livro de fotos, como aqueles que haviam no seu quarto no dia em que a vi nua pela primeira vez. Seria um livro de apenas uma foto, de vários ângulos, de várias cores em tons de cinza. Eu seria capaz de descrever cada movimento de suas pálpebras pintadas em preto.

Eu poderia descrever como acendi meu cigarro, como guardei meu isqueiro, como traguei e como levantei meu rosto e encontrei o seu, ali, há quinze metros de mim. Descrever como um som ambiente nunca soou tão lento em meus ouvidos. Alívio imediato. Acho que chovia lá fora.
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