segunda-feira, 12 de outubro de 2009

¼. Seis.

.

Primeiro trecho de um razoável fim.

.

Foi conveniente, ali, lembrar daquela amiga de Winnie. Luana, Lúcia... não me lembro. Era alguém por quem poderia me apaixonar facilmente. Na verdade, era um porém que deveria me cuidar mais. Assim, me apaixonar facilmente. Qualquer boca e/ou movimento ousado já me deixava assim, pensando em como seria passar os próximos meses da minha vida ao lado daquele novo corpo, daquele novo hálito, daquele novo desenho dentro de uma calça de moletom, aliás, nada mais perfeito que uma mulher que consiga parecer atraente dentro de uma calça de moletom e amanhecer igualmente sedutora, também. Roberto era um grande defensor dessas ideais. “... mas não pode ser extremamente maravilhosa, para não parecer forçado.” Ele sempre repetia essas e outras antes de morrer. É verdade, ele morreu. Ele defendia que mulher de verdade deveria amanhecer com gosto de sexo na boca. Era meio confuso, mas eu entendia muito bem. Ele também. E seguíamos assim.

Luciano ligou o celular, digitou o número que tentou esquecer e teclou em caixa baixa após três pontos intercalados por espaços em branco. Não tentou esquecer, apenas apagou e não fez questão ou esforço para lembrar. Enfim... S, depois A, depois B, depois um E. Continuou: o que é um verdadeiro desperdício? Antes de enviar, apagou. Achou clichê demais esperar uma resposta pra falar da enorme lua cheia.


“... noite de lua cheia.”

Mandei. Recebi confirmação de entrega.

Luciano abriu o vidro da sacada e deixou o som entrar.


All your dreams are made

When you're chained to (your) mirror with (your) razor blade

Today's the day that all the world will see


Recebi confirmação de leitura.


Another sunny afternoon

(I'm) walking to the sound of your favorite tune

Tomorrow never knows what it doesn't know too soon


Encostou na cintura o pára-peito que costumeiramente bate entre o peito e a barriga. Demorou dois segundo mas iria gritar qualquer coisa que viesse na cabeça. Não falava há dois dias. Refugou. Deu meia volta. Outra meia volta. Voltou ao mesmo lugar, apagou o cigarro e gritou, com as duas primeiras palavras levando quase o mesmo tempo do restante da frase.

- Filha da puta. Oasis é melhor que Beatles.

Uma senhora que passara pela calçada parou e me olhou nos olhos, lá de baixo.

- É muito melhor! Melhor que The Beatles. Eu disse. Eu sempre disse isso pra ela.

Ele achava completamente estúpido alguém colocar um nome daqueles numa banda de rock. Só podia ser piada interna. Achava também que os três primeiros comentários desse post seriam defendendo a tal banda. Achou graça em todas as discussões que tivemos sobre as músicas, as comparações. Lembro de encontrar até frases idênticas entre encartes. Péra. Ou foi ela que encontrou?

.