segunda-feira, 12 de outubro de 2009

¼. Sete.

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Segundo trecho de um razoável fim.

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O dia amanheceu gelado, mas com um sol medroso que saía por detrás de muitos prédios daquela cidade, também medrosa. Lembrou como foi animador olhar aquela vista em sua primeira visita ao novo lar. Lembrou que precisaria juntar uma grana para morar ali com Roberto. Também precisaria de uma cama grande e confortável. Hoje tudo parecia desanimador, ali sozinho. Hoje, nada de muito animador, apesar do fato de, ainda deitado, já descartar um possível uso de cachecol e alguma blusa que impeça um ou outro momento mais brusco. Vesti nessa quarta-feira a mesma jeans de segunda e terça, uma camiseta branca que usara apenas terça e a camisa de segunda acima. Um tênis de futsal sem meia.

A casa parecia vazia, mas tinha certeza que Aline ainda permanecia ajoelhada no pé da cama chorando. A casa parecia vazia e com um cheiro forte de mofo.

Cogitei sobre cada detalhe que me fez trancado ali por dois dias.

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Era quase meio-dia e campainha tocou. Nossa campainha tinha som de canários.

Era alguém.

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Não tínhamos olho mágico.

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- Bom dia, Winnie.

- Você me ligou?

- Não.

- Ligou sim.

- Liguei nada.

- Olha aqui, ó.

- Winnie... Isso é uma mensagem.

- Não importa.

- Pra mim, importou.

- Enfim... Bom tarde, Lú.

- É bom dia, não almocei ainda.

- Imaginei. Eu trouxe pizza. De ontem.

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